‘Salão de beleza’ vai ao mercado de capitais

Por Aline Bronzati

São Paulo – O mercado de capitais brasileiro deve receber em breve uma empresa de um setor, à primeira vista, não muito identificado com esse mundo. A Intercosmetic Holding, que entrou com pedido inicial de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), porém, vê esse mercado como uma fonte de recursos para financiar o desenvolvimento de uma rede de salões de beleza e cabeleireiros.

O objetivo da empresa é ingressar no Bovespa Mais – um segmento da Bolsa de Valores mais dedicado a empresas de pequeno e médio porte – no ano que vem, e captar R$ 75 milhões em leilões no mercado de balcão organizado. Os recursos serão utilizados na aquisição de empresas. No primeiro desses leilões, a companhia pretende oferecer 10% do capital.

A Intercosmetic pretende ser um veículo de financiamento de organizações menores no segmento de beleza e cabeleireiros. “Nossa intenção é divulgar duas aquisições no primeiro trimestre e, em 5 anos, ter uma rede com 500 salões de beleza”, diz Alexandre Souza de Azambuja, diretor de Relações com Investidores da empresa.

Seu formato será semelhante ao da nova-iorquina Regis Corporation, que tem 12,7 mil salões e ações listadas em bolsa. Segundo Azambuja, não há nada parecido na América Latina e esse é um dos trunfos que a nova rede pretende utilizar para atrair investidores no mercado de capitais. “O maior player da região tem 64 salões”, diz ele, referindo-se à rede de salões Jacques Janine.

O capital social da Intercosmetic é de R$ 637 mil. Segundo Azambuja, assim que a CVM conceder o registro de companhia aberta, a nova empresa listará ações no Bovespa Mais. “Este segmento está abandonado e não tem cumprido o seu papel, que é ser a porta de entrada para ‘microcapitalizações’ no mercado de capitais”, disse ele à Agência Estado.

Com essa iniciativa, Azambuja acredita que a Intercosmetic criará um novo segmento de ações, o que ele apelida de micro caps, ou seja, ainda menor que as small caps – como são conhecidas as ações com pouca liquidez, em geral de empresas de pequeno e médio porte. “Muitas empresas postergam um IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) grande e prejudicam o desenvolvimento mais dinâmico da organização. Vamos inverter a lógica. Ao invés de procurar financiamento barato no final da vida econômica da empresa, queremos que o mercado de capitais seja o ponto de partida para novas organizações”, disse.

Segundo ele, a empresa busca criar visibilidade com captações menores. “O IPO será mais para a frente”, diz Azambuja. Em seu plano de negócios, a Intercosmetic também planeja crescer organicamente e trabalhar de maneira segmentada para um público diversificado. Está prevista a criação de cerca de quatro marcas, que atenderão desde o consumidor “premium” até as classes mais populares.

O controle acionário da empresa está atualmente nas mãos de Oziel Barbosa de Figueiredo, proprietário da Codal (Companhia de Colonização e Desenvolvimento Rural), com 92%. O restante está divido entre a Templars, antiga Templeton Trust – empresa de investimentos que prepara organizações para abertura de capital -, e o próprio Azambuja.

Criada em junho do ano passado, a Intercosmetic está em fase pré-operacional e, por conta disso, não possui ativos. Embora a nova rede visualize expansão nacional, a região alvo de atuação é o Sul do Brasil, com foco no seu Estado de origem, o Paraná.