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Projeto da Vale em Guiné continua sem definição

Por Mônica Ciarelli

Rio – A Vale ainda não tem uma definição sobre o projeto de Simandou, na Guiné, que vem sendo reavaliado pela companhia por conta de mudanças na legislação mineral do país. A informação foi dada nesta sexta-feira pelo presidente da mineradora, Murilo Ferreira. Ele revelou que a companhia já investiu US$ 500 milhões no ativo. O valor é parte de um total de US$ 2,5 bilhões, que corresponde a 51% de participação acionária no projeto. “Não vamos pagar mais nada enquanto não houver uma definição”, declarou Ferreira.

O executivo lembrou que a companhia tem alternativas para ampliar sua produção sem Simandou, como o projeto de Serra Sul, de 90 milhões de toneladas, no Pará, e o projeto Apolo, de 24 milhões de toneladas, em Minas Gerais.

Ferreira detalhou as mudanças na regulação de Guiné, que dificultam a manutenção do projeto. Ele lembrou que, pelas novas regras, a Vale teria de dar 15% de participação ao governo no projeto, além de, no futuro, o governo ter a possibilidade de comprar mais 20%. O governo ficaria ainda com 51% da parte logística e o pagamento dos royalties seria em cima do preço do aço e não do minério do ferro, que é o insumo produzido pelo projeto. “Aguardamos porque não podemos levar à aprovação do Conselho de Administração um projeto sem ter as definições necessárias”, disse o presidente da Vale. Além de Simandou, atualmente a Vale reavalia também o projeto de potássio de Rio Colorado, na Argentina, e o de carvão térmico na Colômbia.

Ferreira lembrou que a situação hoje é de maior incerteza no cenário internacional e que os bancos estão sendo mais conservadores na concessão do crédito. Por conta disso, a companhia precisa ter ainda mais disciplina na alocação dos seus recursos, defendeu.