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Projeção da Fazenda para o PIB de 2012 segue um mistério

Após desmentir projeção de relatório do MF que apontava alta de 3% para este ano, Guido Mantega recusa-se a traçar cenários

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não quis informar a nova previsão do Produto Interno Bruto (PIB) do governo para 2012, mas previu que o crescimento do segundo trimestre será maior que o do primeiro. “As estimativas dizem que será mais do que o dobro”, afirmou.

Ao ser questionado sobre o PIB de 2012, ele respondeu. “Ainda sequer temos o PIB do segundo trimestre. Aguardem os meus comentários amanhã”, disse ele, numa referência à entrevista já marcada para comentar o resultado do PIB no segundo trimestre que será divulgado nesta sexta-feira.

Em 24 de agosto, o último boletim ”Economia Brasileira em Perspectiva” do Ministério da Fazenda chegou a divulgar que a nova estimativa era de alta de 3%, mas o dado foi desmentido em seguida pela assessoria de comunicação da pasta.

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Na avaliação do ministro, o PIB no terceiro e quarto trimestres crescerá, em termos anualizados, em torno de 4%. “O último trimestre transfere uma parte para 2013. Vamos entrar em 2013 já com um taxa em torno de 4%, o que viabilizará a meta de crescimento de 4,5%”, disse.

O ministro afirmou que a previsão anterior de 5,5% para 2013, que constava na LDO, é “ultrapassada”, porque foi estimada antes do agravamento da crise internacional. “Não estamos vendo uma melhora dos países avançados”, afirmou.

Segundo ele, esse quadro internacional vai dificultar um incremento das exportações. O Brasil, disse Mantega, está se defendendo com um câmbio melhor e com o aumento da competitividade. “Talvez não seja possível avançar nas exportações, mas será possível aumentar o mercado interno – aquela fatia que os exportadores asiáticos estão ocupando”, afirmou.

Segundo ele, os exportadores de outros países estão “desesperados”. “Em função desse cenário, estamos ousando”, acrescentou, lembrando que o Brasil depende menos do mercado externo. Para ele, com esse cenário internacional, essa (4,5%) é uma excelente meta de crescimento.

Real desvalorizado vai continuar – O ministro da Fazenda garantiu que a política cambial do governo continuará muito ativa. Ele disse, no entanto, que não tem como saber qual será o câmbio em 2013. “É difícil, e mesmo se soubesse não falaria aqui. O que eu posso garantir é que o real continuará competitivo e continuaremos com uma política de desvalorização do real, de modo a mantê-lo competitivo”, disse.

Segundo Mantega, o governo continuará comprando divisas e atuando no mercado de derivativos e à vista. “Estamos atentos e vigilantes”, frisou. Ele disse que essa política vai continuar porque a guerra cambial ainda não terminou. “Temos defasagem de câmbio”, disse.

Desoneração – Mantega acrescentou que os 15,2 bilhões de reais reservados na proposta de Orçamento de 2013 para novas desonerações serão destinados para bancar isenções de tributos na folha de pagamento, a redução do custo de energia e PIS/Cofins. Segundo ele, a alocação dessas desonerações ainda não está definida. A definição ocorrerá nas próximas semanas. Ele classificou esses recursos de “carimbo” para desonerações.

Investimentos – Para o economista, é um grande desafio atingir a meta de 24% do PIB em investimentos no país. Ele lembrou que esta projeção foi feita em 2010 e, após isso, houve recrudescimento da crise internacional, o que deixou o crescimento e os investimentos aquém do desejado em 2011 e 2012.

Mantega disse, no entanto, que o governo tem preparado um conjunto de aportes que terão efeito nos próximos anos. “Perdemos terreno nos investimentos em 2011 e 2012, mas temos condições de avançar nos próximos anos. Chegar a 24% tornou-se um grande desafio. Tivemos que postergar esta meta para 2015 e 2016”, afirmou.

(com Agência Estado)