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Produção industrial da Índia fica estável e amplia pressão

NOVA DÉLHI, 12 Jun (Reuters) – A produção industrial da Índia ficou estável em abril, ampliando a pressão sobre as autoridades para reduzir os juros e retomar o crescimento econômico do país, que pertence aos Brics -grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul- e pode ser rebaixado pela Standard & Poor’s devido à falta de ação política.

A agência de rating disse que os líderes indianos se afastaram do caminho da liberalização econômica e o país deve se tornar o primeiro entre os Brics a perder seu rating de crédito de investimento.

As altas taxas de juros e de inflação, divisões entre as lideranças e a crise da dívida da zona do euro pesam sobre a terceira maior economia da Ásia há mais de um ano. O crescimento econômico atingiu o ritmo mais fraco em nove anos no trimestre encerrado em março.

“A mensagem é bastante clara”, disse o economista do Goldman Sachs Jim O’Neill, o primeiro a usar o acrônimo Bric para descrever as principais economias emergentes do mundo.

“Seria de pensar que está suficientemente claro que as autoridades indianas iriam querer de alguma forma responder a algumas dessas coisas, mas eles não mostram sinais disso”, disse ele à Reuters.

Diante de uma série de notícias ruins, grupos empresariais querem ação em relação a medidas prometidas há tempos para encorajar o investimento.

Mas o governo tem tido dificuldade para implementar mesmo reformas modestas. Uma forte reação pública contra uma recente alta no preço da gasolina forçou o governo a suspender temporariamente seus planos para reduzir os subsídios ao diesel, que segundo analistas poderia aliviar a pressão sobre o déficit orçamentário.

O ministro das Finanças, Pranab Mukherjee, que tem sido criticado por espantar os investidores estrangeiros com reformas tributárias em momentos ruins, prometeu ação para restaurar a confiança na economia.

“Estamos adotando várias medidas para estimular a economia. O governo está comprometido em garantir liberações de projetos mais rápidas, atraindo novos investimentos, tanto domésticos quanto estrangeiros, determinando questões regulatórias, etc, para melhorar a confiança dos investidores”, disse Mukherjee em reunião com representantes de bancos.

O diretor de uma das principais câmaras empresariais da Índia, a Assocham, reuniu-se com o primeiro-ministro Manmohan Singh para lhe pedir que acelere os projetos de infraestrutura e pressionar pela redução das taxas de juros em sua reunião em 18 de junho.

Os dados divulgados nesta terça-feira mostraram que a produção industrial subiu apenas 0,1 por cento em abril ante o ano anterior, abaixo da estimativa em pesquisa da Reuters de aumento de 1,7 por cento. Isso seguiu-se a uma queda de 3,2 por cento em março, de acordo com dados revisados.

“Os dados indicam claramente que o crescimento industrial está sendo extremamente fraco, e que tem uma clara necessidade de suporte monetário e fiscal”, disse o economista-chefe do HDFC Bank, Abheek Barua.

Os bens de capital, que incluem itens como maquinário para fábricas, recuaram 16 por cento em abril ante o ano anterior. Esse importante indicador de investimento subiu apenas uma vez nos últimos oito meses.

A produção no setor de mineração, outro importante motor econômico, recuou 3,1 por cento em abril na comparação anual, o segundo mês consecutivo de declínio.

(Por Frank Jack Daniel e Rajesh Kumar Singh, reportagem adicional de Manoj Kumar e Arup Roychoudhury)