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Preço do petróleo segue no menor nível em mais de uma década

Cotação reage aos temores de desaceleração da China, segundo maior consumidor da commodity

O petróleo opera em queda na manhã desta quinta-feira, reagindo às turbulências na China, segundo maior consumidor da commodity. O mercado de ações chinês teve um dia de forte queda, em seu pregão mais curto nos 25 anos de história da Bolsa de Xangai, o que prejudica mercados acionários pelo mundo e afeta o apetite por risco. Além disso, continua a influir o cenário de excesso de oferta de petróleo.

Por volta das 9h (de Brasília), o petróleo para fevereiro caía 3,03%, a 32,94 dólares o barril, na New York Mercantile Exchange, após tocar mais cedo 32,10 dólares o barril, o nível mais fraco desde dezembro de 2003.

As bolsas chinesas foram interrompidas meia hora após a abertura, na segunda vez nesta semana em que o recentemente instalado sistema de circuit breaker foi utilizado, para limitar a volatilidade e evitar quedas ainda mais acentuadas. A Bolsa de Xangai caiu pouco mais de 7%. O analista de petróleo Daniel Ang, da Phillip Futures, afirma que as turbulências nos mercados da China são mais um elemento a prejudicar o quadro já fraco para as cotações do petróleo.

A instabilidade no mercado, a desvalorização do yuan e uma série de dados econômicos fracos nos últimos messe na China são sinais de desaceleração na economia do país. A China consome cerca de 12% do petróleo mundo, atrás apenas dos EUA.

O medo de uma desaceleração na China se soma aos temores já existentes ante o excesso de oferta e as tensões geopolíticas, que puxam para baixo a commodity no início deste ano. “Quando os fundamentos do mercado de petróleo estão fracos, como agora, os preços são vulneráveis a qualquer indicação de desaceleração na demanda”, afirmou Vyanne Lai, analista de energia do National Australia Bank.

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A tensão entre Irã e Arábia Saudita, ambos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), gera ainda a percepção de que um esforço conjunto para reduzir a produção parece ainda mais distante.

Alguns analistas dizem que o petróleo pode cair ainda mais. A diretora de pesquisa em energia da BMI Research, Mariana Petroleka, disse que, se o petróleo se fechar a semana abaixo de 36 dólares, isso será um sinal técnico negativo apontando para uma faixa mais baixa de negociações. Segundo ela, o barril poderia até cair a 20 dólares nas próximas semanas.

(Com Estadão Conteúdo)