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Portugal Telecom terá de oferecer garantias para manter fusão com a Oi

Segundo o jornal português 'Diário Económico', operadora brasileira receberá como garantia os ativos da empresa portuguesa na Nova Oi

Depois de expirado o prazo de pagamento dos 847 milhões de euros que a Rioforte deve à Portugal Telecom, a empresa portuguesa e a operadora brasileira Oi chegaram a um acordo sobre como ficará a fusão das duas, informa a edição desta quarta-feira do jornal português Diário Económico. Após a operação malsucedida, em que a tele portuguesa investiu quase 900 milhões de euros na Rioforte, subsidiária do Grupo Espírito Santo (GES), os termos da incorporação com a Oi tiveram de ser revistos. Reportagem do jornal afirma que as duas empresas estudam estender o prazo de pagamento da dívida da Rioforte. Além disso, a Portugal Telecom deverá oferecer garantias à Oi, que poderão ser executadas caso a Rioforte volte a negar o pagamento de sua dívida.

A solução deverá ser votada o quanto antes pelo conselho de administração da Portugal Telecom. Se for aceita, a empresa não precisará ter sua fatia reduzida na Oi, mantendo-a entre 37% e 38%. A redução de participação só ocorrerá se, no novo prazo, a Rioforte não honrar o pagamento de sua dívida. Ou seja, as garantias dadas pela Portugal Telecom serão suas próprias ações na Nova Oi – empresa resultante da fusão.

Grupos entrelaçados – A Rioforte possui uma fatia de 49% na Espírito Santo Financial Group (ESFG), holding da família Espírito Santo que detém 20% do Banco Espírito Santo (BES). O BES, por sua vez, tem 10% da Portugal Telecom. O problema teve início quando a Rioforte recebeu, ao longo do primeiro semestre, cerca de 900 milhões de euros da Portugal Telecom, em troca de títulos com vencimento de curto prazo. Ao dar o calote nesta terça-feira, a Rioforte compromete o caixa da Portugal Telecom. Pelo fato de ambas estarem interligadas ao BES, o banco também tem sido alvo de grande desconfiança. Suas ações caíram 49,5% em apenas sete sessões na Bolsa de Lisboa.

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A Oi afirma que jamais foi informada sobre o investimento da Portugal Telecom. Dois de seus conselheiros, Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, e Fernando Portella, do grupo Jereissati, se retiraram do conselho ao saberem, por meio da imprensa, a respeito da operação. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um dos principais acionistas da Telemar, que controla a Oi, pediu explicações à Portugal Telecom e afirmou que avaliava rever os termos da fusão com a companhia.