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Piora externa volta a tirar prêmios dos juros futuros

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – No começo da semana, a maioria dos agentes acreditava que as autoridades europeias estavam perto de um acordo para protelar o default grego. Agora, alguns países da União Europeia querem que o setor privado arque com uma parcela maior na reestruturação da dívida da Grécia, recolocando o impasse sobre a mesa. Essas incertezas fizeram os ativos devolverem os ganhos da véspera e o mercado de juros futuros, que já anda volátil devido à mudança de estratégia do Banco Central, seguiu pelo mesmo caminho.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o contrato futuro para janeiro de 2012 (208.460 contratos) projetava 11,18%, de 11,20% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2013, com giro de 295.375 contratos indicava 10,41%, de 10,43% no ajuste, e o DI janeiro de 2014 (102.045 contratos) projetava 10,82%, de 10,89%. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (34.230 contratos) recuava a 11,34%, de 11,40% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2021 (1.965 contratos) estava em 11,35%, de 11,40% no ajuste.

Mas em um dia de agenda esvaziada e com a perspectiva de uma quinta-feira cheia, o investidor em juro futuro não abandonou a cautela. O giro foi relativamente fraco e o movimento das taxas, pequeno. Entre os poucos dados de hoje, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) informou que as vendas reais nos supermercados cresceram 3,91% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado. Nos dados ajustados pela MCM, no entanto, as vendas caíram 1,84%, em termos nominais, e recuaram 2,20% no resultado real.

Além disso, a taxa de desemprego em sete regiões metropolitanas ficou praticamente estável em agosto, em 10,9%, ante 11% em julho, segundo levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Para os técnicos das entidades, essa estabilidade é atípica para o mês e já reflete os efeitos da crise. “Já era para a taxa de desemprego começar a cair”, disse a economista Patricia Lino Costa, do Dieese.

Para amanhã, os agentes aguardam o Relatório Trimestral de Inflação, que será divulgado às 8h30 pelo Banco Central. O documento, na visão de analistas, deve ser usado para dar suporte à última decisão de cortar a Selic em 0,5 ponto. No mesmo horário, o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, estará no 22º Congresso Nacional de Executivos de Finanças (Conef), será na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

Lá fora, também amanhã, dois eventos têm potencial para direcionar os rumos dos negócios. A Câmara Baixa do Parlamento alemão vota a legislação que amplia a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) e a troica, formada por União Europeia, FMI e Banco Central Europeu (BCE), retorna à Grécia para analisar as contas do país e decidir sobre a liberação da próxima parcela de 8 bilhões de euros da ajuda concedida aos gregos no ano passado.