Philips abandonará fabricação de TVs devido à competição asiática

Nos últimos dez anos, a holandesa Philips perdeu importante parcela de mercado, passando de mais de 10% para entre 5% e 6%

A atividade de produção de aparelhos de televisão passará a uma coempresa a partir do fim de 2011

A marca Philips em aparelhos de TV permanecerá por, pelos menos, cinco anos

A gigante holandesa de eletrônica Philips – última grande empresa europeia fabricante de televisores – anunciou nesta segunda-feira que abandonará a atividade, em consequência da competição feroz das concorrentes asiáticas. O grupo enfrenta a japonesa Sony e, sobretudo, as sul-coreanas Samsung Electronics e LG Electronics, que reduziram os preços de seus aparelhos graças a um modelo de produção de alto rendimento, beneficiado por uma moeda nacional debilitada.

“Encontrar uma solução para nosso setor de aparelhos de televisão era nossa prioridade absoluta”, declarou o diretor executivo da Philips, Frans van Houten, ao apresentar os resultados do primeiro trimestre, no qual esta atividade registrou uma perda operacional de 106 milhões de euros. O lucro líquido do grupo caiu 31,3% no primeiro trimestre, para 138 milhões de euros, abaixo das expectativas dos analistas consultados pela agência Dow Jones Newswires (152 milhões de euros).

“Os concorrentes vendem a preço de saldo seus televisores e destruíram por completo o mercado. Nos últimos dez anos, a Philips perdeu uma importante parcela de mercado, passando de mais de 10% a entre 5% e 6%”, explica Sjoerd Ummels, analista do banco ING. As vendas de TVs Philips fabricadas no Brasil, Argentina e Hungria representavam em 2005 um total de 25% do volume de negócios do grupo, contra apenas 13% em 2010.

A atividade de produção de aparelhos de televisão passará a uma coempresa a partir do fim de 2011, na qual a Philips conservará participação da 30%. A parte restante será vendida à TPV Technology, especializada em telas de LCD e computadores, com sede em Hong Kong. O preço de venda dos 70% será calculado em função do resultado operacional anual médio do setor em um período de pelo menos três anos a partir de 2012. “Em outras palavras, a Philips só receberá dinheiro por esta participação se o setor de atividade registrar lucro”, explicou Joost Akkermans, porta-voz do grupo.

As televisões produzidas pela coempresa usarão a marca “Philips” durante pelo menos cinco anos, em troca do pagamento de royalties. A coempresa não poderá vender aparelhos na China, Índia, Estados Unidos, Canadá, México e alguns países da América do Sul que o grupo não quis revelar, já que fechou acordos que permitem a outros fabricantes utilizar a marca “Philips”.

O grupo holandês, que tem 117 000 funcionários, dos quais 3 500 no setor de TVs, foi por muito tempo especializado na produção de aparelhos de televisão e pequenos eletrodomésticos. Mas há dez anos, o grupo passou a desenvolver aparelhos médicos, como máquinas para ressonâncias magnéticas, e sistemas de iluminação. “Devemos levar nossa atividade de material médico ao topo do mercado e manter a liderança na divisão de sistemas de iluminação”, destacou van Houten.

Fundado em 1891, o grupo holandês fabricou em 1950 seus primeiros televisores em preto e branco destinados ao mercado nacional. A produção de TVs a cores começou em 1962.

(com agência France-Presse)