Petrobras pode aumentar preço da gasolina após acordo da Opep

Com política da nova administração, estatal poderá aumentar o preço dos combustíveis de modo a acompanhar alta dos preços do petróleo, segundo analistas

A Petrobras poderá ter que aumentar o valor da gasolina cobrada no Brasil como reflexo do acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para diminuir o volume de produção da extração de petróleo, de acordo com analistas.

O valor do barril do petróleo subiu cerca de 4% nesta quinta-feira, a US$ 53, com a expectativa de um acordo do cartel para diminuir os níveis de produção, mas que ainda não foi anunciado oficialmente.

Com o acordo, a Petrobras deverá repassar a nova realidade dos preços aos consumidores. “A previsão é que, para o final do ano, o barril esteja próximo a US$ 60”, diz Samuel Torres, analista da Spinelli Corretora. “Dada a nova política de preços, a Petrobras deve manter uma paridade do preço dos combustíveis em relação aos preços do petróleo lá fora”, afirma.

De acordo com Torres, caso o patamar de US$ 60 o barril seja concretizado, o aumento do diesel e da gasolina poderia chegar a dois dígitos.

“[O aumento do preço do petróleo] é bem expressivo, de cerca de 32%. Isso sem considerar o que aconteceu com o câmbio, no qual o dólar se valorizou ante o real”, diz.

Porém, mesmo com o aumento exponencial, a Petrobras não deve repassar todo o percentual de uma vez ao consumidor –já que uma alta vertiginosa poderia ter reflexos no consumo e na inflação, de acordo com analistas.

Para o presidente do Sindicato dos Varejistas de Derivados de Petróleo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, deverá manter a política de paridade com o mercado internacional.

“Se ele não mudar a política, [com o aumento do petróleo] ele deverá rever o preço. Acho muito mais provável que ele cumpra a promessa e continue trabalhando acompanhando o mercado internacional”, afirma Gouveia.

PETRÓLEO

Os preços do petróleo dispararam nos últimos dias, após os países produtores da commodity estarem próximos a um acordo de corte na produção.

Desde meados de 2014, a Arábia Saudita, principal produtora de petróleo do mundo, inundou os mercados internacionais com o produto em uma tentativa de tirar os EUA do setor de energia.

Com o excesso de oferta, os preços, que beiravam US$ 100 o barril, despencaram para US$ 40 –trazendo problemas para petroleiras e países que dependiam da exportação do produto.

Agora, mais de dois anos depois, os sauditas, ao lado de países como Rússia, Venezuela, Nigéria e Iraque, concordaram em interromper parte da produção para levantar novamente os preços do petróleo.