Papandreou se diz pronto para renunciar, se necessário

Por Renato Martins

Atenas – O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, disse estar pronto para renunciar ao cargo caso isso seja necessário visando alcançar um acordo com a oposição para a formação de um governo de união nacional. Falando no Parlamento grego, Papandreou, do Partido Socialista (Pasok), afirmou estar pronto a discutir qualquer questão levantada pelo líder do partido oposicionista Nova Democracia, Antonis Samaras. Os dois conversaram por telefone hoje, em umesforço para encerrar uma crise política que poderia levar a Grécia a sair da zona do euro.

Samaras pediu que Papandreou renunciasse ao cargo e disse que os dois partidos deveriam concordar com a formação de um governo provisório, que aprovaria o novo acordo de ajuda europeia para a Grécia e convocaria eleições gerais antecipadas.

Segundo Papandreou, “as questões que Samaras levantou para a formação do governo, ou para o momento de novas eleições, não podem ser rejeitadas nem necessariamente aceitas a priori. Não excluí nada da discussão, inclusive minha própria posição”.

As conversas acontecem depois de Papandreou ter levantado a hipótese de convocar um referendo para que os eleitores gregos decidissem se aprovam o pacote de ajuda de 130 bilhões de euros(US$ 179 bilhões) acertado pelos chefes de governo dos países da União Europeia no encontro de cúpula da semana passada, em Bruxelas. A mera possibilidade de uma consulta democrática na Grécia abalou os mercados no meio da semana. Essa posição de Papandreou foi vista por muitos observadores políticos como uma manobra para conter a insatisfação pública com as medidas de austeridade exigidas pela UE.

O primeiro-ministro também disse que, caso saia um acordo com a oposição sobre o pacote de ajuda e a formação de um governo de união nacional, ele vai retirar a proposta de referendo. Amanhã, o governo liderado por Papandreou enfrenta um voto de confiança no Parlamento do país; Samaras já anunciou que votará contra o governo. O Pasok tem atualmente 152 dos 300 deputados. Pelo menos dois deputados do partido governista já anunciaram que não vão dar votos de confiança ao governo, o que significa que ele não deverá sobreviver. As informações são da Dow Jones.