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PANORAMA3-Temores na Europa persistem; dólar cai 1,71% com swap

SÃO PAULO, 25 Mai (Reuters) – As preocupações com a zona do euro empurraram as bolsas norte-americanas e o euro para terreno negativo nesta sexta-feira, enquanto no cenário doméstico o dólar ficou abaixo do patamar de 2 reais e fechou em queda pela terceira sessão seguida, diante de atuação mais forte do Banco Central, que realizou um leilão de swap cambial tradicional pelo quarto pregão consecutivo.

Com as incertezas no cenário externo e ainda o feriado do Memorial Day -que homenageia cidadãos norte-americanos mortos em combate-, as bolsas nos Estados Unidos fecharam em baixa.

Mais cedo, os principais índices europeus ainda conseguiram fechar em alta, estimulados por papéis de empresas farmacêuticas e de serviços públicos. O FTSEurofirst, índice que reúne as principais ações do continente, avançou 0,24 por cento, para 984,97 pontos.

Entre as notícias que preocuparam o mercado nesta sexta-feira, a Catalunha, região autônoma mais próspera da Espanha, informou que precisa de ajuda financeira do governo central porque está ficando sem opções para o refinanciamento de sua dívida neste ano.

Ainda na Espanha, as transações com as ações do banco espanhol Bankia foram suspensas pelo órgão regulador do mercado do país. O Bankia requisitou um resgate estatal de 19 bilhões de euros nesta sexta-feira, mais do que o dobro do que o governo havia identificado como a ajuda mínima necessária.

Reforçando o temor diante da possível saída grega da zona do euro, o vice-primeiro-ministro belga, Didier Reynders, também alertou nesta sexta-feira que os bancos centrais e as empresas estariam cometendo um grave erro se não estiverem se preparando para isso.

O noticiário sobre a Europa acabou ofuscando os dados da confiança do consumidor nos EUA, que atingiu em maio o maior nível em mais de quatro anos, avançando para 79,3 ante 76,4 em abril, e superando as estimativas de 77,8.

Já no cenário doméstico, o dólar encerrou a sexta-feira com queda de 1,71 por cento frente ao real, com uma nova estratégia de atuação do Banco Central. A divisa norte-americana fechou abaixo de 2 reais, o que não acontecia desde 14 de maio, quando ficou cotada a 1,9899 real na venda.

O mercado reagiu à atuação do BC, que, desta vez, fez um leilão de swap cambial tradicional logo pela manhã e com o dólar perto da estabilidade. Alguns operadores já dizem acreditar que a instituição monetária pode diminuir sua atuação, caso a moeda norte-americana não volte a subir com mais força.

Na semana, a divisa acumulou perda de 1,19 por cento frente ao real, também em função das intervenções do BC, que realizou leilões de swap cambial tradicional -operação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro- nesta sexta-feira pelo quarto pregão consecutivo.

A queda do dólar tem afetado também os contratos de juros futuros, com operadores vendo menor pressão inflacionária a partir de agora. Isso refletiu em um recuo dos DIs.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), divulgado nesta sexta-feira, também chegou a impactar nos DIs, ao desacelerar para alta de 0,41 por cento na terceira quadrissemana de maio, ante avanço de 0,48 por cento na segunda quadrissemana do mês.

Ainda no cenário doméstico, o BC informou que o crescimento do estoque de crédito desacelerou em abril, enquanto a inadimplência voltou a subir no período, aproximando-se do recorde histórico.

A Bovespa, por sua vez, encerrou a sexta-feira em alta, descolada de Wall Street e emplacando um movimento de correção técnica liderado pelo setor de construção, que acumula expressiva queda no ano.

Na segunda-feira, os mercados norte-americanos fecharão por conta do Memorial Day e não há divulgação de indicadores prevista nos EUA. No Japão, por sua vez, serão reportadas a taxa de desemprego e as vendas no varejo, ambas referentes a abril.

Enquanto isso, no Brasil será divulgado o Relatório Focus, além da Sondagem Industrial e o Índice Nacional de Custos daConstrução-Mercado (INCC-M) relativos a maio.

Veja como ficaram os principais mercados financeiros nesta sexta-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 1,9945 real, em queda de 1,71 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa subiu 0,74 por cento, para 54.463 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 5,5 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros avançou 1,52 por cento, a 26.702 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

No call das 16h, o DI janeiro de 2014 estava em 8,520 por cento ao ano, ante 8,620 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia fechou cotada a 1,2519 dólar, ante 1,2535 dólar no encerramento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, caiu para 129,063 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,664 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil caiu 5 pontos, para 225 pontos-básicos. O EMBI+ avançou 1 ponto, a 388 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones fechou em queda de 0,60 por cento, a 12.454 pontos, o S&P 500 registrou desvalorização de 0,22 por cento, a 1.317 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,07 por cento, aos 2.837 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto subiu 0,20 dólar, ou 0,22 por cento, a 90,86 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subiu, oferecendo rendimento de 1,7465 por cento, frente a 1,783 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código ).(Por Danielle Fonseca; Edição de Frederico Rosas)