Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

PANORAMA3-Mercados se recuperam apoiados em balanços corporativos

SÃO PAULO, 24 Abr (Reuters) – A maioria das bolsas internacionais fechou em alta nesta terça-feira, com balanços corporativos trazendo alívio aos mercados depois das fortes quedas da véspera devido a preocupações em relação à Europa. Já no mercado local, os juros futuros e o dólar operaram descolados do exterior, com a Bovespa em alta.

O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações europeias, fechou em alta de 1,09 por cento, aos 1.032 pontos. O indicador foi puxado por resultados positivos como o da francesa Michelin, e também por saltos em alguns dos papéis que registraram as maiores baixas da sessão anterior, como os do setor bancário.

Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones e S&P 500 fecharam em alta nesta terça-feira, também com fortes balanços e previsões positivas de gigantes do setor manufatureiro, como a 3M.

A Apple, que havia influenciado negativamente o Nasdaq no pregão regular, ao registrar baixa de 2 por cento, para 560,28 dólares, teve o preço de seus papéis disparando 6,9 por cento, para 599 dólares, no after market, após anunciar que encerrou o trimestre com lucro de US$ 12,30 por título.

Os indicadores oficiais divulgados nos Estados Unidos acabaram sendo ofuscados por balanços corporativos. Entre os anúncios, foi conhecido que as vendas de novas moradias para uma única família no país caíram para 328 mil unidades. No entanto, o número veio acima do esperado, já que economistas consultados pela Reuters tinham previsto vendas de 320 mil em março.

Os preços de moradias norte-americanas subiram ainda 0,3 por cento em fevereiro, na comparação com janeiro. Já dados sobre a confiança do consumidor nos EUA vieram um pouco piores do que o esperado, recuando para 69,2 em abril. Economistas esperavam leitura de 69,7, de acordo com pesquisa da Reuters.

Mesmo com o humor um pouco melhor, o mercado continua atento à situação da Europa, qua ainda exige cautela. Na Espanha, por exemplo, os custos de empréstimos de curto prazo do país quase dobraram -na comparação com o mês anterior-, em leilões realizados nesta terça-feira.

No mercado doméstico, a Bovespa acompanhou o exterior e fechou em alta, mas os juros futuros e o dólar descolaram do movimento externo.

O dólar seguia em queda ante o real, acompanhando o exterior, até que o BC anunciou um leilão de compra de dólares no mercado à vista, com taxa de corte de 1,8775 real, pouco depois das 15h30 (Brasília), o que fez com que a moeda anulasse as perdas e fechasse praticamente estável.

Segundo operadores, o mercado também estava na expectativa de quando o BC voltaria a atuar. Na véspera, a instituição não havia atuado, sendo que na sexta-feira também realizou um leilão à vista com o câmbio no mesmo patamar de 1,87 real.

Os juros futuros, por sua vez, fecharam em queda, à espera de que a ata do Copom possa trazer mais indicações sobre os próximos passos do BC, e com operadores aumentando as apostas em uma queda de 0,50 ponto percentual da Selic em maio.

Na quinta-feira, o Banco Central divulgará a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acabou por decidir pela redução da da Selic em 0,75 ponto percentual na última quarta-feira. O comunicado do Copom deixou em aberto a possibilidade de mais cortes da taxa básica, o que tem guiado o mercado de juros até agora.

Dessa forma, o Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo-15(IPCA-15), que subiu mais do que o esperado em abril, não afetou os DIs. O índice acelerou a alta para 0,43 por cento. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam uma alta de 0,37 por cento.

Ainda no Brasil, foram divulgados dados das contas externas pelo BC, e que mostraram que o déficit em conta corrente somou 3,32 bilhões em março, refletindo queda nas remessas de lucros e dividendos de multinacionais instaladas no país e o melhor desempenho da balança comercial, ao mesmo tempo em que o Banco Central indicou que o país deve receber mais Investimento Estrangeiro Direto (IED) neste ano.

Enquanto isso, dados da arrecadação federal referentes a março mostraram uma alta de 10,26 por cento na comparação com igual período do ano passado, somando 82,367 bilhões de reais em impostos e contribuições.

O destaque da agenda nesta quarta-feira ficará com a decisão da taxa de juros nos Estados Unidos, que será divulgada às 13h30 (Brasília). Ainda em território norte-americano será divulgado o indicador de bens duráveis de março.

Na Europa, o destaque fica com o Produto Interno Bruto (PIB) da Grã-Bretanha, relativo ao primeiro trimestre.

Já no Brasil, serão anunciadas a nota de crédito do BC, com dados de março, além das sondagens do consumidor (abril) e a da indústria (março). Também está prevista a divulgação do Índice Nacional da Construção Civil-Mercado (INCC-M), relativo a abril.

Veja como ficaram os principais mercados financeiros nesta terça-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 1,8823 real, com variação negativa de 0,02 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa subiu 0,70 por cento, para 61.971 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 6,3 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros subiu 0,33 por cento, a 31.498 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

No call das 16h, o DI janeiro de 2014 estava em 8,860 por cento ao ano, ante 8,950 por cento no ajuste anterior.

EURO

Às 18h22 (Brasília), a moeda comum europeia era cotada a 1,3190 dólar, ante 1,3154 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, caía para 132,625 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,096 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil caía 4 pontos, para 184 pontos-básicos. O EMBI+ cedia 7 pontos, a 330 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones fechou em alta de 0,58 por cento, a 13.001 pontos, o S&P 500 registrou valorização de 0,37 por cento, a 1.371 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,30 por cento, aos 2.961 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto caiu 0,77 dólar, ou 0,74 por cento, a 103,90 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, caía, oferecendo rendimento de 1,9735 por cento, frente a 1,940 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código ).

(Reportagem de Danielle Fonseca; Edição de Frederico Rosas)