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PANORAMA2-Dólar e Bovespa recuam com atenções voltadas para EUA

SÃO PAULO, 26 de julho (Reuters) – O dólar seguia ladeira abaixo no Brasil nesta terça-feira, enquanto a Bovespa ameaçava perder os 59 mil pontos em mais um dia de preocupações com a questão de dívida nos Estados Unidos.

No front doméstico, o mercado se dividia entre os números do setor externo, fluxo cambial e declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o atual cenário macroeconômico local e mundial.

Em apresentação no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Mantega disse que a economia brasileira está sólida e a inflação está controlada. O ministro destacou ainda que o governo não se deixará vencer pelo que chamou de guerra cambial.

Os comentários de Mantega vieram em mais um dia de forte baixa do dólar, que renovava as mínimas em 12 antes frente ao real. Já é a sexta sessão consecutiva em que a moeda norte-americana perde valor, o que tem alimentado expectativas de que a equipe econômica anuncie em breve medidas cambiais.

O BC, reforçando a política de intervenção, fará uma pesquisa de demanda por swap cambial reverso no fim da tarde. O BC já fez uma compra a termo e uma à vista nesta manhã.

Meia hora antes de o ministro começar a falar, o Banco Central divulgou que o déficit em transações correntes de junho ficou em 3,3 bilhões de dólares, bem abaixo do registrado em junho do ano passado, de 5,273 bilhões de dólares, refletindo uma melhora no saldo comercial.

No mês passado, os investimentos estrangeiros diretos no país somaram 5,467 bilhões de dólares no mês passado.

O BC atualizou ainda suas projeções para o déficit em transações correntes para julho. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, o saldo negativo fique em 2,9 bilhões de dólares neste mês. Esse déficit deve ser totalmente coberto pelo investimento estrangeiro direto (IED), que deve somar 4 bilhões de dólares no mês.

Por fim, Maciel revelou que o fluxo cambial estava positivo em 10,870 bilhões de dólares em julho até o dia 22. Destaque para a queda a 8,127 bilhões de dólares das posições vendidas em dólar no mercado à vista naquele dia, após o BC aumentar a exigência de depósito compulsório.

A pauta doméstica contou ainda com a confiança do consumidor brasileiro medida pela Fundação Getúlio Vargas, que aumentou 5,4 por cento em julho, atingindo o maior patamar da série histórica iniciada em setembro de 2005.

O dado favorecia leve alta em alguns contratos de DI, que em sua maioria pouco mexiam, com investidores aguardando a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para quinta-feira.

Do lado acionário, os agentes seguiam atentos ao ambiente cauteloso no exterior, faltando poucos dias para que o governo dos Estados Unidos fique sem dinheiro para honrar seus compromissos.

Parlamentares e o presidente Barack Obama ainda não chegaram a um consenso sobre como elevar o teto da dívida dos EUA, hoje em 14,3 trilhões de dólares. O mercado teme que o fracasso num acordo possa provocar um calote da dívida norte-americana.

Veja a variação dos principais mercados nesta terça-feira:

CÂMBIO

O dólar era cotado a 1,5365 real, em queda de 0,5 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA O Ibovespa recuava 1,09 por cento, para 59.314 pontos. O volume financeiro na bolsa era de 2,38 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS O índice dos principais ADRs brasileiros recuava 0,41 por cento, a 34.795 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

O DI janeiro de 2012 apontava 12,47 por cento ao ano, ante 12,47 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,4492 dólar, ante 1,4376 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subia a 136,438 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,66 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS <11EMJ>

O risco Brasil se mantinha estável a 159 pontos-básicos. O EMBI+ subia 1 ponto, a 274 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones recuava 0,5 por cento, a 12.530 pontos; o S&P 500 perdia 0,22 por cento, a 1.334 pontos, e o Nasdaq subia 0,05 por cento, a 2.844 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo de vencimento mais próximo subia 0,14 dólar, ou 0,14 por cento, a 99,34 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 2,9565 por cento ante 3,004 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código )

(Por José de Castro; Edição de Silvio Cascione)