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Orçamento equilibrado não é arrocho, diz Hamilton

Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda saiu em defesa de medida que cria um teto para as despesas do governo

Na defesa da importância de o Congresso Nacional aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria um teto para as despesas do governo, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Carlos Hamilton, rechaçou o rótulo de “arrocho fiscal” para as medidas anunciadas pela Fazenda. “É um equívoco acreditar que o governo ter um orçamento equilibrado seja um arrocho. Arrocho mesmo, dureza mesmo, é o governo gastar mais do que pode, se endividar e aí termos hoje 11 milhões de desempregados, com dívida pública crescente. Isso que é duro”, afirmou.

No dia seguinte ao anúncio do pacote de medidas de ajuste fiscal, Hamilton disse que o setor público passou “uma temporada” gastando mais do que podia, o que contribuiu para o ciclo de dois anos consecutivos de recessão no Brasil. Para ele, se aprovada pelo Congresso, a PEC vai garantir que as despesas públicas passem a crescer mais lentamente. Ele comparou a situação fiscal brasileira à de um consumidor que precisa usar o cheque especial todos os meses, mas que ao fim do ano acaba com o “nome no SPC”.

De acordo com o secretário, a proposta do governo garante os pisos para a educação e a saúde, mas caberá ao Congresso definir como os outros gastos públicos poderão ser acomodados dentro do teto criado, comparado por ele a um “envelope”. “O Congresso, em aprovando a PEC, no fundo entenderá a ideia de que as despesas do Governo Central terão de caber dentro do envelope”, disse.

Principal formulador da política econômica da equipe do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, Hamilton enfatizou não ser correto afirmar que a PEC está diminuindo os recursos para a Educação e a Saúde, como tem sido dito pelos críticos da proposta. A aplicação mínima de recursos nas duas áreas terá como base o mínimo obrigatório usado em 2016. Este valor será anualmente elevado de acordo com a inflação do ano anterior. “O que é correto é afirmar que a PEC está garantindo que, em termos reais, os recursos para educação e saúde não vão diminuir”, reforçou.

Segundo ele, caberá aos parlamentares distribuírem “o bolo” de despesas dentro dos limites do teto de gastos, nas rubricas definidas pela lei orçamentária de cada ano. “A distribuição de recursos vai continuar ocorrendo da maneira que o Congresso definir. Sempre foi desse jeito e é assim que funciona nas democracias”, afirmou.

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(Com Estadão Conteúdo)