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Nova meta de déficit não chega a R$ 170 bi, diz Meirelles

Anúncio da nova meta deve ficar para quarta-feira; ministro descartou elevação de impostos

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que as novas metas de déficit primário de 2017 e 2018 deverão ser anunciadas até quarta-feira. Ele participou de reuniões ontem com o presidente Michel Temer e outros ministros para discutir o valor do novo rombo nas contas públicas.

Segundo ele, as novas metas não chegam a algo entre 165 bilhões e 170 bilhões de reais. As metas ainda vigentes para o governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência) são de um rombo de 139 bilhões de reais em 2017 e de 129 bilhões de reais para o próximo.

Apesar de fontes do governo terem divulgado que a nova meta deve subir para um déficit primário de 159 bilhões de reais neste e no próximo ano, Meirelles não confirmou o novo número.

“Não existe hoje uma meta de 159 bilhões de reais, mas existe esse cálculo de analistas de mercado de que esse valor seria aceitável e seria suficiente para fazer frente às frustrações de receita. Mas nós estamos esperando o cálculo de receitas sobre leilão de energia e de campos de petróleo”, afirmou.

Meirelles descartou que o governo pretenda elevar impostos, mas admitiu que há dificuldades para calcular as receitas extraordinárias que virão. “Estamos discutindo aumento de receitas extraordinárias, e não aumento de despesas”, afirmou. “A discussão envolve revisões na arrecadação e no déficit da Previdência. Temos feito no curto prazo todo o esforço na área de energia para viabilizarmos a menor meta possível para este ano”, disse.

O ministro negou que tenha havido um adiamento do anúncio da nova meta, aguardada para ontem.  Segundo ele, o anúncio da nova meta deve acontecer até o fim desta quarta-feira.”Não houve adiamento porque dissemos que ia ser nesta semana e hoje ainda é terça-feira”, argumentou.

Meirelles participou nesta terça-feira de encontro com parlamentares da base aliada na residência do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O objetivo foi convencer os aliados sobre a importância neste momento da aprovação de projetos da criação da Taxa de Longo Prazo (TLP), do Refis e da reoneração da folha de pagamentos.

Entre as possibilidades que estão em estudo para aumentar o caixa estão as concessões dos aeroportos de Congonhas (SP), Santos Dumont (RJ) e das participações da Infraero em aeroportos já concedidos.

Na semana passada, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse que a queda com receitas obrigaria o governo a rediscutir a meta. “Temos tido uma frustração continuada de receitas.”

Segundo ele, o governo já havia reduzido a previsão para arrecadação com o segundo programa de repatriação de recursos no exterior e mesmo assim os números foram abaixo do esperado.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)