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Demétrio Magnoli: ‘fadiga dos partidos’ explica Trump e Brexit

Segundo o sociólogo, crescimento do nacionalismo surgiu com o medo daqueles que ficaram de fora dos benefícios da globalização

As consultas populares que culminaram na eleição de Donald Trump e na saída da Inglaterra da União Europeia (o Brexit), que surpreenderam muitos analistas, não são decorrentes de desinteresse pela política, baixo nível de educação ou fenômenos isolados. Segundo o sociólogo Demétrio Magnoli, o que une os dois eventos é a expressão do descontentamento de setores que ficaram de fora dos benefícios da globalização e viram no nacionalismo e na extrema direita uma forma de expressar sua insegurança.

O professor da USP abordou o tema durante a palestra “A fadiga na política, a onda nacionalista, a antipolítica e o futuro da globalização”.  A exposição foi parte do fórum A Revolução do Novo – A Transformação do Mundo, promovido por VEJA e EXAME, em parceria com a Coca-Cola, que aconteceu na manhã desta segunda-feira, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Para Magnoli, o momento é de renascimento do nacionalismo, motivado por fatores como uma crise econômica de grandes proporções e pela sensação de falta de representatividade dos partidos políticos. “Não existe uma fadiga da política, existe fadiga dos partidos políticos tradicionais. É um fenômeno mundial”, diz o sociólogo.

Essas instituições, diz Magnoli, foram tomadas por suas próprias militâncias e levadas a posições políticas mais extremadas. Os eleitores passaram a vê-las como representantes dos próprios interesses, em vez do interesse público.

O sociólogo apontou uma semelhança entre o crescimento do nacionalismo em 1930 e seu ressurgimento na atualidade: uma crise econômica de grandes proporções e que afetou vários países.  No caso do século passado, a grande depressão; mais recentemente, a crise econômica de 2008.

A dificuldade no campo econômico, somada ao baixo crescimento do PIB nos últimos anos, alienou uma parcela significativa de pessoas. “Os ‘órfãos’ da globalização, indignados com a perda de emprego e de renda, escolhem o nacionalismo para enfrentar seus medos”, diz Magnoli.

Ele ressaltou que, tanto na eleição de Trump como no Brexit, os eleitores que mudaram de orientação política e foram decisivos para esses resultados foram os trabalhadores de classe média empregados em indústrias tradicionais. Com a revolução tecnológica, muitos ficaram para trás. Nos EUA, os trabalhadores do Meio-Oeste americano, tradicionalmente ligados a sindicatos e aos democratas, escolheram Trump. Na Inglaterra, redutos tradicionais do partido trabalhista apoiaram a saída da União Europeia.

Segundo Magnoli, uma expressão desse movimento nacionalista é o sucesso eleitoral de  partidos de extrema direita. Eles conseguiram associar, incorretamente, o desemprego e o terrorismo aos imigrantes e se beneficiaram eleitoralmente nos Estados Unidos e na Europa. Assim como o nacionalismo da década de 30, o de agora emerge da soma dos medos. E vence quem consegue criar uma narrativa sobre esse medo, mesmo que incorreta, como no caso dos imigrantes. “Não importa que se constate, depois, que o terrorista mora há décadas na mesma cidade em que cometeu o atentado”, disse.

Para o sociólogo, contudo, esse movimento de radicalização já tem recebido uma resposta das grandes e médias cidades, que têm registrado participação política mais intensa. Esse maior engajamento pode deter uma onda de extrema direita em países como Áustria, Holanda e França. “Já disseram que o Trump seria o coveiro da União Europeia. Ele pode ter sido o salvador dela”, avaliou Magnoli.

Comentários

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  1. Alexandre Sampaio

    Para o tal Demétrio Magnoli, Trump é extrema-direita. O distinto comunista deve considerar o PSDBosta como direita, para zurrar tamanha cretinice sem corar! São por “intelectuais” como esse que o Brasil encontra-se na draga em que está.

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  2. Joel Carvalho

    Magnoli, no caso do Brasil, a militância petralha tomou conta não só de seu partido, mas também das instituições públicas e as assaltou literalmente em um nível, “como nunca antes na história desse país”, como diz o chefão deles.

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  3. augusto carlos pereira furtado

    Babaca. Quanta besteira. É mais um subproduto dá GloboNews.

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  4. Se pode-se explicar sociologicamente esse “medo” dos desglobalizados, então por que não se pôde prever o que iria acontecer (sociologicamente) e evitar o que parece estar errado? Não fez sentido a explicação de Magnoli.

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  5. Que nacionalismo? Estamos em 2017 !!! Não adiantar remontar dados passados !! Que idéia obsoleta comparar!! O que ocorre é que TODOS estão cansados do mimimi da minoria que a esquerda tanto defende. Além disso, os partidos de esquerda tiveram sua chance e NADA fizeram, só quiseram continuar sugando do Estado, igualzinho A REVOLUÇÃO DOS BICHOS de George Orwell.

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  6. Cristina Costa

    Babacas somo esses socílogos midiáticos de esquerda não ajudam em nada! O calvario do Brasil continua e a sociedade está anestesiada com tanta desfacatez. A verdade é uma só: a esquerda chegou ao Poder e falhou miseravelmente.

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  7. Max Caballero

    Ta sendo bem pago pela FAKE NEWS pra dizer esse monte de asneira. Só idiotas ainda levam esses gambás a sério

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