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Na reta final para a Copa, 22% das obras de energia estão atrasadas

Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica, 33 projetos estão fora do prazo — e 19 ficam na região Sul

O cenário desanimador para a infraestrutura do país durante a Copa do Mundo de 2014 não se restringe aos estádios, estradas e aeroportos. No setor elétrico, a situação é preocupante. A quatro meses do início dos jogos, das 148 obras de ampliação da transmissão de energia nas cidades-sede, 33 estão atrasadas, segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O documento ao qual o site de VEJA teve acesso foi concluído no final de 2013 e a agência ainda não tem uma atualização sobre os números de janeiro. Há 12 meses, a agência já havia alertado para o risco de desabastecimento de energia durante o Mundial.

Segundo o relatório, a situação do Sul do país é a mais crítica, já que 19 dos 33 projetos em atraso são executados pelas concessionárias da região. A Companhia Estadual de Energia do Rio Grande do Sul (CEEE) era responsável pela execução de 25 projetos. De acordo com o texto, 12 estavam atrasados e apenas três foram concluídos – o restante estava dentro dos prazos estipulados. Contudo, a empresa informou à Aneel, em 15 de outubro, que havia revisto seu planejamento para a Copa e sugeriu reduzir seus projetos para apenas oito.

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A respeito do pedido, a agência informou, no relatório, que “a exigência da Fifa de que o atendimento dos estádios e áreas adjacentes deve ser realizado com dupla alimentação de energia possivelmente não será atendida” no Estado. O texto ainda aponta que a CEEE não havia progredido nas obras ao longo de todo o ano – e que os resultados referentes ao final de 2013 eram similares ao mês de janeiro. “A CEEE não está realizando as obras propostas, mantendo o cronograma de execução inalterado desde janeiro de 2013. E mesmo nos novos prazos propostos, há risco de não serem cumpridos”, diz a agência.

No caso da Copel, do Paraná, das 18 obras prioritárias para a Copa, apenas duas estavam concluídas e sete apresentam atrasos em relação ao cronograma original – sendo que cinco obras ainda não haviam sido sequer iniciadas. “Tal situação deixa os cronogramas de implantação dos empreendimentos sem folgas que acomodem eventuais atrasos, comuns na etapa de construção de linhas de transmissão que atravessam áreas urbanas”, afirmou a Aneel.

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A agência negou que os atrasos poderão resultar em grandes blecautes nas cidades-sede. Mas não descarta o risco de “interrupções pontuais no fornecimento de energia elétrica que impliquem em desligamentos temporários e localizados em determinados bairros”.

Segundo a Aneel, todas as distribuidoras de energia entregaram, no último dia 15, planos de operação e manutenção do sistema de abastecimento para as doze cidades que contarão com jogos durante os meses de junho e julho. Agora, caberá à agência fiscalizar as instalações e verificar a capacidade das empresas de cumprir o que foi prometido.

Setor em apuros – Os atrasos ganham contornos preocupantes num contexto de aumento da demanda e redução da oferta de energia no país, devido à escassez de chuvas. “Vivemos uma fórmula difícil. Muito calor, poucas chuvas, recordes de consumo de energia e térmicas já ligadas”, explica o consultor de energia Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) , acrescentando que a política de preço baixo da presidente Dilma aliada ao estímulo ao consumo doméstico também ajudou a agravar a situação.

Na terça-feira, um apagão deixou cidades de treze Estados e o Distrito Federal sem luz por cerca de 40 minutos – o equivalente a quase todo o primeiro tempo de um jogo de futebol. O governo negou que a situação que afetou mais de 6 milhões de brasileiros foi causada pela sobrecarga de energia, mas não deu outra explicação para o problema. Estima-se que 6 milhões de pessoas tenham sido afetadas.