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Ministros da UE focam união bancária e ajuda à Espanha

Por John O’Donnell e Robin Emmott

LUXEMBURGO, 22 Jun (Reuters) – Os ministros das Finanças da Europa examinaram formas de fortalecer seus setores bancários e quebrar o elo entre bancos em dificuldade e países endividados nesta sexta-feira, com as preocupações com o sistema bancário espanhol no centro das atenções.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, pediu que a zona do euro crie um canal de ajuda direta para bancos em dificuldade em vez de fazê-lo por meio de governos, mas a Alemanha e outros países opõem-se a tais empréstimos diretos, os quais não são possíveis sob as atuais regras.

A discussão faz parte de um debate mais amplo sobre como a União Europeia (UE) pode se mover em direção a uma “união bancária”, incluindo um esquema de garantia de depósitos para todo o bloco e um fundo para ajudar bancos podres, em uma tentativa de deixar a crise da dívida soberana de dois anos e meio para trás.

Essas questões serão discutidas em detalhes pela UE em Bruxelas nos próximos dias 28 e 29.

Lagarde disse na quinta-feira que, ao permitir que o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês), esquema de resgate da zona do euro, ajude credores em dificuldades diretamente -em vez de ajudá-los por meio de governos-, evitaria que problemas bancários agravassem as dificuldades dos países.

“O processo de formação de uma união bancária já começou”, disse o ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, acrescentando que a possibilidade de uma recapitalização direta pode estar aberta para seu país, que está pronto para receber 100 bilhões de euros (125 bilhões de dólares) de ajuda da zona do euro para combater a crise em seus bancos.

“Acho que (recapitalização bancária direta) é uma possibilidade”, disse ele a repórteres. “Esse é um dos elementos fundamentais para quebrar o elo entre risco bancário e risco soberano.”

“Essa possibilidade está absolutamente aberta para a Espanha se houver progresso nos próximos meses (sobre o assunto). O processo de recapitalização não é instantâneo”, completou o ministro.

Durante a crise, países da zona do euro têm se visto sozinhos na tentativa de resolver os problemas com seus bancos. Para aqueles cujo fardo era muito grande, como foi o caso da Irlanda, o governo recebeu ajuda do FMI e da UE.

Mas depois de anos em crise, os problemas bancários não mostram sinais de resolução e líderes europeus estão sob pressão para formar um fronte unido a fim de blindar credores em dificuldade em vez de deixar os países lidarem com os problemas sozinhos.

“LIGAÇÃO VENENOSA”

Central para isso é a ideia de que países mais fortes na zona do euro, como a Alemanha, em última análise, estão por trás dos credores das nações em maiores dificuldades para resolverem seus problemas sozinhos, embora Berlim não queira dar esse passo no curto prazo porque se opõe a assumir qualquer responsabilidade de outros países.

“Nós precisamos quebrar a ligação venenosa entre países e bancos”, avaliou uma diplomata da UE próxima às discussões. “É sobre solidariedade. Isso não pode ocorrer durante uma noite. É difícil”.

(Reportagem de John O’Donnell e Robin Emmott; reportagem adicional de Annika Breidthardt)