Milionários brasileiros aumentam investimentos no exterior

Percepção de valorização do dólar ante o real e fragilidade da economia brasileira são fatores que pesam na hora de alocar investimentos

Os milionários brasileiros aumentaram os investimentos no exterior no segundo trimestre, motivados pela percepção de valorização do dólar ante o real. É o que mostra um relatório de gestão de fortunas (Wealth Management, em inglês) da consultoria AZ FuturaInvest, subsidiária da Azimut, maior gestora de ativos independente da Itália, com mais de 80 bilhões de reais sob gestão. O levantamento baseou-se nas transações de 6 mil pessoas com patrimônio superior a 1 milhão de reais.

O estudo também mostrou que aumentou o número de clientes que investiram ou pretendiam investir em produtos no exterior entre o segundo e o terceiro trimestres: passou de 43% para 52%. “A única situação paralela a de hoje aconteceu em 2003, quando havia incerteza sobre a política econômica e monetária com a vitória de Lula nas eleições presidenciais”, disse Adriano Moreno, presidente da AZ FuturaInvest.

A propensão a alocar em dólar se deve pela perspectiva do banco central americano, o Federal Reserve (Fed) elevar os juros básicos da maior economia do mundo no ano que vem, tornando investimentos mais atrativos. Com isso, é muito provável que saia mais dólares de outros países, em especial os emergentes, e as moedas locais se desvalorizem.

Segundo Moreno, o baixo crescimento do Brasil, o risco de perda do grau de investimento (pelas agências de classificação de risco), a fragilidade fiscal e a inflação acelerada também tornam o Brasil menos atrativos para investidores.

“Independente de quem venha a vencer as eleições presidenciais, essa necessidade de diversificar não vai se alterar. É consenso que o juro americano começa a subir em 2015 e, por outro lado, o ambiente macroeconômico brasileiro deve ser difícil nos próximos anos”, observou Moreno.

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Estrangeiros – Se por um lado os brasileiros estão tirando dinheiro do Brasil, por outro, estrangeiros estão emprestando menos ao país. Dados divulgados pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) mostram ainda que o ritmo de empréstimos para o Brasil caiu pela metade no segundo trimestre. O total de financiamentos para o país aumentou 1,15% entre abril e junho na comparação com os três meses anteriores. No primeiro trimestre, o avanço havia sido de 2,31%.

Em termos nominais, o Brasil recebeu 3,55 bilhões de dólares em novos empréstimos bancários no segundo trimestre – praticamente a metade da registrada nos três primeiros meses do ano, quando bancos concederam 6,96 bilhões de dólares a clientes no Brasil. Com o aumento registrado entre abril e junho, o Brasil terminou o semestre com total de 312,23 bilhões de dólares em empréstimos.

(Com Estadão Conteúdo)