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Merkel pede a sócios para que respeitem compromissos

A chefe do governo alemão, Angela Merkel, pediu a seus aliados para que respeitem os compromissos de rigor fiscal e os prazos de retirada do Afeganistão, a poucos dias de se reunir com o presidente eleito da França, François Hollande, que pede modificações dessas agendas.

Sem mencionar Hollande, Merkel – defensora dos ajustes para superar a crise da Eurozona – voltou a se mostrar inflexível diante da possibilidade de tentativas de recuperação econômica na Europa baseadas no gasto público, em um discurso ante legisladores alemães.

“Um crescimento baseado no crédito nos levará de novo ao começo da crise. Não queremos isso, não faremos isso”, declarou a chanceler, fortemente aplaudida pelo Bundestag, onde apresentou a posição da Alemanha para a reunião do G8, nos dias 18 e 19 de maio, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), nos dias 20 e 21 do mesmo mês, ambas nos Estados Unidos.

Hollande, que na próxima terça-feira será empossado como presidente da França, viajará nesse mesmo dia à Alemanha. Durante sua campanha eleitoral, o agora presidente tinha adiantado seu interesse em renegociar o pacto europeu de disciplina orçamentária para acrescentar uma cláusula dedicada ao crescimento da economia.

A Alemanha já rejeitou uma eventual renegociação.

Para Merkel – que durante a campanha apoiou o presidente Nicolas Sarkozy -, é essencial que cada parte aceite a ideia de que “a saída da crise será um processo longo” e que para isso é necessário atacar os problemas estruturais de certos países, o “endividamento catastrófico” e a “falta de competitividade”.

Com relação ao Afeganistão, Merkel pediu que os países da OTAN respeitem o calendário de retirada das tropas internacionais desse país, que deve ser concluído no final de 2014.

“O princípio vigente para o governo alemão é: entramos juntos (no Afeganistão) e vamos sair juntos”, disse Merkel.

Hollande se comprometeu em sua campanha a retirar as tropas francesas do Afeganistão em 2012, dois anos antes do calendário fixado pela OTAN.

Alemanha e França são as principais potências da Eurozona.

O ex-primeiro-ministro socialista francês, Michel Rocard, admitiu nesta quinta-feira que temia uma colisão entre Hollande e Merkel. “Temo que exista o risco de um choque com Merkel”, disse Rocard, apesar de destacar que “a questão do crescimento” foi posta sobre a mesa.

É “difícil renegociar um tratado que acaba de ser negociado, mas ele está incompleto”, disse Rocard, que não fechou as portas para um acordo. “Deveríamos poder chegar a um bom resultado e isso será acertado nos próximos dez dias”, acrescentou.

A rigidez de Merkel se explica fundamentalmente, segundo diplomatas europeus que pediram anonimato, por questões de política interna. No domingo serão realizadas eleições na região da Renânia do Norte-Westfália, a mais povoada do país.

“É necessário que (Merkel) seja enérgica antes das eleições na Renânia”, disse um dos diplomatas consultados.

A oposição nacional social-democrata poderia conservar a supremacia nesta região industrial, bastião tradicional da esquerda, em coalizão com uma ou duas formações políticas, segundo as pesquisas.

Nesse sentido, a oposição dispõe de um meio de pressão, já que o governo precisa de uma maioria de dois terços nas duas câmaras do Parlamento para que seja votada a ratificação do pacto orçamentário.

Assim, os social-democratas se distanciaram da política de Merkel e endureceram o tom desde o triunfo de Hollande na França.

As dificuldades na Grécia, onde os partidos favoráveis à austeridade sofreram uma derrota nas legislativas de domingo, também aumentam a pressão sobre Merkel.

“Ela (Merkel) sente que as coisas escapam de suas mãos e como perde o controle, tende a endurecer”, afirmou um diplomata em Berlim.