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Medidas não mudam visão sobre Selic e juro fica de lado

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – A reação do mercado de juros às medidas anunciadas nesta quarta-feira pelo governo, como o estímulo às compras públicas e a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo de 6% para 5,5%, foi morna, especialmente na parte curta e intermediária da curva a termo. O entendimento foi o de que ações pontuais não serão suficientes para estimular a demanda a ponto de mudar a estratégia atual de afrouxamento monetário. Pelo contrário: apenas mostram que o governo está cada vez mais preocupado com o fraquíssimo resultado que o PIB deve apresentar neste ano, o que avaliza a continuidade da queda de juros.

Assim, as término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (205.090 contratos) estava em 7,65%, nivelado ao ajuste. O DI janeiro de 2014 (193.415 contratos) indicava 7,94%, também idêntico ao patamar de ontem. Nos vértices mais longos, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2017 (50.470 contratos) era de 9,37%, de 9,33% na véspera, enquanto a taxa do DI janeiro de 2021 (1.200 contratos) subia a 10,02%, de 9,96% no ajuste.

No fim da manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que a TJLP será reduzida. A taxa estava estagnada em 6% havia três anos, desde julho de 2009. O Conselho Monetário Nacional (CMN) se reunirá na quinta-feira para reposicionar a taxa que serve de referência para os empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governo anunciou ainda o chamado “PAC Equipamentos – Programa de Compras Governamentais”, que envolve um valor de R$ 8,4 bilhões em compras adicionais que serão concentradas no segundo semestre do ano.

Na quinta-feira o Banco Central divulga seu Relatório Trimestral de Inflação e, na visão de operadores e analistas, não deve trazer qualquer sinal diferente em relação a atual política monetária. Aliás, a principal mudança esperada justificará ainda mais o relaxamento monetário atual. Segundo economistas ouvidos pelo AE Projeções, o Relatório deve trazer a revisão para baixo na expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2012. De acordo com eles, praticamente não há dúvidas de que o Banco Central reconhecerá que o crescimento econômico do País neste ano será inferior aos 3,5% esperados no relatório de março. Mais do que isso, é cada vez mais forte o sentimento de que o PIB será menos expressivo que o de 2,7% de 2011.

Nesta quarta-feira o Tesouro Nacional informou que o Governo Central apresentou superávit primário de R$ 1,788 bilhão no mês de maio. O valor representa uma queda de 84% em relação ao registrado em abril, mas ficou dentro do intervalo de estimativas dos economistas consultados pelo AE Projeções e acima da mediana de R$ 1,500 bilhão.

Lá fora, o dia foi de recuperação para os ativos de risco. O suporte veio de indicadores positivos dos Estados Unidos. Mas embora o clima externo tenha melhorado hoje, as fracas expectativas de que a cúpula de líderes europeus desta semana possa fornecer uma solução concreta para crise da dívida seguem nos preços. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse em um discurso ao Parlamento alemão, que “não existe solução rápida e fácil”, mantendo sua posição de combater a crescente crise de dívida da zona do euro por meio de uma ampla reforma orçamentária e política e rejeitando pedidos por grandes investimentos públicos para estimular o crescimento econômico.