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‘Maior dificuldade é construir consenso’, diz Barbosa

Em evento em São Paulo, ministro da Fazenda reforçou a necessidade de dar cabo a reformas estruturais e aproveitou defender a presidente Dilma Rousseff

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse nesta quinta-feira que a maior dificuldade do governo é construir consenso em torno de políticas para que o Brasil supere os problemas atuais. “Os desafios no Brasil são conhecidos e não serão superados da noite para o dia. Espero que o conflito político seja resolvido dentro das regras”, afirmou em São Paulo, durante evento promovido pelo Itaú Unibanco.

Barbosa observou ainda que no campo político, há discursos polarizados, “beirando o religioso e messiânico”. “Esse momento fiscal e monetário precisa ser feito em bases mais duradoras. Precisamos evitar abordagens simplistas e ideológicas”, avaliou.

O compromisso da Fazenda, conforme o ministro, é construir reformas estruturais para resolver os problemas atuais. “Reformas estruturais levam tempo para sempre aprovadas e congresso tem grande papel. E também é importante obter consenso político para aprová-las”, ressaltou Barbosa.

Segundo Barbosa, o governo brasileiro pode ter nova frustração de receitas neste ano em meio ao atual quadro da economia que, segundo expectativas, deve ter um segundo ano de retração da atividade. É justamente essa frustração de receitas, conforme ele, que torna necessária a revisão da meta de resultado primário.

“Frustração de receita e rigidez de despesa tornam necessário mudar a programação fiscal. Alterar programação fiscal é consequência, não causa do resultado fiscal. Só meta de resultado primário não é suficiente. É preciso meta para os gastos”, disse Barbosa.

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Impeachment – O ministro também aproveitou para reforçar que não houve crime de responsabilidade da presidente Dilma Rousseff para justificar eventual impeachment, referindo-se às pedaladas fiscais que embasam o pedido de afastamento que tramita na Câmara dos Deputados.

“Para mim está claro que não há crime de responsabilidade que justifique impeachment da presidente”, disse, acrescentando que o governo adotou todas as orientações do Tribunal de Contas da União (TCU).

Por fim, ele ressaltou que, mais do que nunca, é hora de a economia ajudar a política. “Espero que a solução atual do impasse político respeite a democracia e o processo legal”, destacou ele.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)