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Juros futuros passam por correção de alta

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – O mercado de juros futuros promoveu recuperação de prêmios ao longo de toda a curva a termo nesta sexta-feira antecedente a uma semana que promete ser determinante para os rumos da crise global. Já no domingo, haverá eleições na Grécia e, ao longo dos próximos dias, encontro de líderes do G-20 e reunião do Federal Reserve. O mercado trabalha com perspectivas positivas em relação a todos esses eventos. No entanto, a divulgação do IBC-Br de abril confirmou que a atividade doméstica continua fraca. Em meio a esse quadro, os investidores aproveitaram para readequar suas carteiras à queda das taxas durante toda a semana, o que foi decisivo para levar os juros para as máximas no fim do dia.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (257.770 contratos) estava em 7,73%, de 7,70% no ajuste. A taxa projetada pelo contrato para janeiro de 2014 (268.995 contratos) indicava 8,09%, de 7,98% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (82.645 contratos) subia para 9,79%, de 9,65% ontem, enquanto o DI janeiro de 2021 (5.455 contratos) avançava para 10,37%, de 10,25% no ajuste.

No domingo, as eleições gregas já podem desencadear alguma medida por parte das autoridades. Caso o conservador Nova Democracia vença o pleito, prevalece a ideia de que as reformas continuarão a ser implantadas na Grécia. Mas, por outro lado, se o partido opositor Syriza ganhar a eleição, a expectativa de boa parte dos analistas é que haja uma ação orquestrada no sentido de prover liquidez e diminuir a tensão sobre o futuro grego. Também lá fora, um porta-voz da Comissão Europeia disse que a UE usará a reunião do G-20, a ser iniciada na segunda-feira, no México, para ajudar a procurar uma solução mundial para a crise da dívida soberana.

No âmbito doméstico, ainda que tenha ficado em segundo plano no mercado de juros, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a criação de uma linha especial de crédito, a Pró-investe, que colocará R$ 20 bilhões à disposição para que os Estados ampliem investimentos. Os empréstimos serão concedidos com base na TJLP (6% ao ano), mais uma taxa adicional.

E o IBC-Br mostrou que a atividade continua fraca no segundo trimestre. O indicador subiu 0,22% em abril ante março, com ajuste. No entanto, houve queda 0,02% em abril ante abril de 2011, sem ajuste. Foi a primeira queda nessa base de comparação desde setembro de 2009.

No âmbito da inflação, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) ficou em 0,73% em junho, após avançar 1,01% em maio, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Entre os componentes do índice, o IPC-10, que mede a variação dos preços no varejo, desacelerou a alta para 0,33% em junho, de 0,51% no mês passado. O IPA-10 teve alta de 0,73% este mês, após subir 1,21% em maio, o que corrobora a esperada descompressão nos preços do atacado em resposta à diluição do efeito do câmbio.