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Indústria de fundos tem o pior resultado em seis anos no Brasil

Só no quarto trimestre, a saída de recursos dos fundos superou os ingressos em 32,16 bilhões de reais; no ano, ficou negativa em 1,1 bilhão de reais

A indústria brasileira de fundos de investimento teve em 2014 com resgates líquidos de 1,1 bilhão de reais, o pior resultado do setor em seis anos, informou nesta terça-feira a entidade que representa as instituições financeiras, Anbima.

Só no quarto trimestre, a saída de recursos dos fundos superou os ingressos em 32,16 bilhões de reais. No acumulado do ano, os piores desempenhos foram o segmento de renda fixa, com resgates líquidos de 40,8 bilhões, seguido pelo de ações, com as saídas superando as entradas em 15 bilhões de reais.

A performance do ano só não foi pior do que em 2008, ano da grande crise financeira internacional, quando a indústria nacional de fundos teve resgates de 65,6 bilhões de reais.

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Segundo a Anbima, o cenário macroeconômico adverso, com taxa de juros e câmbio em alta, e outras “especificidades”, foram determinantes para o resultado. O período teve eleições presidenciais e a Copa do Mundo. Os dados são preliminares. “Foi um ano desafiador, tanto no cenário doméstico quanto no internacional, com crescimento da aversão a risco. Isso contribui para aumento da captação em fundos de maior liquidez”, disse o vice-presidente da entidade Carlos Massaru, em nota.

Ainda assim, o patrimônio líquido da indústria de fundos fechou 2014 com 2,7 trilhões de reais, alta de 8,6% ante 2013. Puxados pela alta da Selic, os fundos DI foram destaques, tanto em rentabilidade, de 11%, quanto de captação líquida, positiva em 45,4 bilhões de reais. A rentabilidade média dos fundos cambiais foi de 12,05 por cento. Na mão contrária, todas as categorias de fundos de ações tiveram quedas, variando de 1 a 16 por cento no ano. “A indústria deverá continuar enfrentando importantes desafios em 2015 diante das incertezas no cenário macroeconômico global”, afirmou Massaru.

(Com Reuters)