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Impostos para milionários: Romney na mira de Obama

Barack Obama defendeu nesta terça-feira a “regra Buffett”, redefinição dos critérios fiscais destinada a fazer os americanos mais ricos pagarem mais, tentando por em evidência o multimilionário Mitt Romney, seu provável adversário nas eleições presidenciais.

“O que condiciona inteiramente nossa economia é a brecha que separa os ‘ultrarricos’ do restante da população”, disse o presidente americano em um discurso na Flórida, um Estado crucial no mapa eleitoral para a eleição de 6 de novembro, quando brigará por um segundo mandato de quatro anos.

“Pergunto a vocês: qual é a melhor forma de fortalecer a nossa economia? Dar mais 150 mil dólares em isenção fiscal a cada milionário e multimilionário? Ou investir em educação, pesquisa, saúde e em nossos veteranos de guerra?”, acrescentou Obama em um discurso na universidade da cidade de Boca Raton, do qual a Casa Branca divulgou trechos no meio do dia.

O presidente defende desde setembro de 2011 a “regra Buffett”, uma iniciativa do multimilionário Warren Buffett que propõe que as pessoas que registrarem receitas superiores a 1 milhão de dólares paguem pelo menos 30% de impostos.

Obama destaca que é injusto que Buffett, cuja fortuna figura entre as maiores do mundo, esteja sujeito a um imposto inferior ao salário de sua secretária, por causa de um sistema fiscal que taxa mais o trabalho do que o capital.

O Senado, controlado pelos aliados democratas de Obama, deve realizar uma votação sobre esta iniciativa, mas seus adversários republicanos são hostis a ela e podem barrá-la.

A insistência de Obama parece destinada principalmente a por seu eventual adversário à Presidência na defensiva.

Romney, ex-investidor cuja fortuna é estimada entre 190 e 250 milhões de dólares, reconheceu estar sujeito a um imposto próximo de 15%, apesar de contar com receitas anuais superiores a 20 milhões de dólares em 2010 e 2011.

O pré-candidato republicano se beneficia também – assim como muitos americanos ricos – de nichos fiscais implantados em 2001 e 2003 na presidência do republicano George W. Bush.

A Casa Branca publicou nesta terça-feira um relatório que mostra que 0,1% dos americanos com as maiores receitas, pagam impostos que representam 26% delas, contra 51% em 1960, enquanto a contribuição da classe média, no mesmo intervalo, 14 para 16%.

A volta aos discursos da “regra Buffett” acontece em um momento em que os americanos se preparam para entregar suas declarações de renda à receita antes de 17 de abril e devem estar mais sensíveis a uma proposta de maior equilíbrio no pagamento de impostos.

Os senadores “deverão explicar o motivo pelo qual discordam deste princípio” de re-equilíbrio da tributação, afirmou nesta segunda-feira o porta-voz de Obama, Jay Carney.

Os republicanos responderam nesta terça-feira destacando que o que chamam “imposto Buffett” não permitiria recolher mais de 50 bilhões de dólares adicionais em 10 anos, uma gota d’água em relação à dívida federal, que supera os 15,6 trilhões.

O ex-presidente Bush defendeu na terça-feira as isenções de impostos decididas em 2001 e 2003, em um discurso em Nova York. “Se os impostos aumentam, sobra menos dinheiro no bolso dos consumidores”, afirmou Bush, em uma rara incursão na arena política depois de abandonar a Casa Branca em janeiro de 2009.