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IBGE recua e vai manter a divulgação da Pnad Contínua

Em decisão unânime, diretoria do órgão afirmou que manterá calendário de divulgações e metodologia dos dados de emprego não será alterada

O Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmou nesta segunda-feira que vai manter o calendário de divulgações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). A diretora de Pesquisas em exercício, Zélia Bianchini, informou em comunicado que a contabilização dos resultados da pesquisa referentes ao primeiro trimestre de 2014 está em fase de finalização, o que permitirá a divulgação no próximo dia 3 de junho, conforme o cronograma original. A decisão foi concluída por votação unânime.

No dia 10 de abril, a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, havia comunicado que o calendário de divulgações da nova pesquisa de emprego do instituto, com abrangência nacional, seria suspenso e a metodologia seria revista. A medida visava a atender a questionamentos de parlamentares sobre a precisão das informações sobre a renda domiciliar per capita para as Unidades da Federação, já que as estimativas servirão como base para o rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE), conforme definido na Lei Complementar nº 143/2013.

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A revisão de metodologia foi motivada pelo pedido dos senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Armando Monteiro (PTB-PE) no início de abril. Por essa razão, levantou-se a possibilidade de ingerência no IBGE que deu início a uma grave crise institucional no órgão – com direito à debandada de técnicos. Especulou-se que os parlamentares governistas estavam descontentes quanto aos dados estatísticos sobre a taxa média de desemprego no Brasil no ano de 2013 na apuração da Pnad -� que seriam divergentes da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), também feita pelo IBGE. Segundo a Pnad Contínua, a taxa foi de 7,1%, e não de 5,4%, como apurado pela PME – e divulgada pelo governo como sendo o menor nível da história.

A diretora de Pesquisa do órgão, Marcia Quintslr, pediu exoneração do cargo por discordar da decisão de suspender a divulgação dos resultados da Pnad. Marcia deixa o cargo, mas segue como servidora do IBGE. Denise Britz do Nascimento Silva, coordenadora-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), também pediu para sair. Ambas integravam o Conselho diretor do IBGE, ao lado de Wasmália e de outros cinco membros.

Logo após as renúncias, dezoito coordenadores e gerentes estratégicos de pesquisas ameaçaram entregar seus cargos, caso a direção não voltasse atrás na decisão. A situação chegou ao ponto de os membros restantes do conselho diretor decidirem se reunir com o corpo técnico da instituição para tentar evitar a saída em massa. Entre os coordenadores que ameaçaram entregar seus cargos estavam Eulina Nunes dos Santos, responsável pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e Cimar Azeredo, responsável pelas taxas de desemprego apuradas pela própria Pnad Contínua e pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

Há dez dias o Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública com pedido de liminar para impedir que o órgão engavetasse a pesquisa. Além disso, também no final de abril, servidores do IBGE aprovaram indicativo de greve e paralisação para protestar não só contra as suspeitas de ingerência, mas também pelo aumento de salários. O Sindicato de servidores disse que houve interrupção dos trabalhos nas filiais de Manaus, Maceió, Recife, São Paulo, Vitória, Belo Horizonte, Curitiba, Mato Grosso do Sul, Florianópolis e Porto Alegre.

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