Iberdrola negocia para ter 60% da Neoenergia

Por AE

São Paulo e Rio – As negociações entre a Iberdrola e o fundo de pensão Previ para a compra da Neoenergia ganharam fôlego este mês, com a vinda do presidente da empresa espanhola ao Brasil. Ignacio Galán tenta fechar a compra do controle da Neoenergia adquirindo parte da participação de 49,01% da Previ, numa operação que envolverá também a empresa de participações do BNDES, a BNDESPar.

Segundos fontes, a proposta da companhia espanhola é de que, ao final do acordo, a nova composição acionária da Neoenergia seja 60% Iberdrola, 20% Previ e 20% BNDESPar. O Banco do Brasil, que participa hoje da sociedade com 11,99% por meio da BB Investimentos, deixará a empresa.

Nenhuma das empresas confirma oficialmente o andamento do negócio, que envolve cifras bilionárias. A Neoenergia estaria avaliada em mais de R$ 20 bilhões. A Previ, de acordo com fontes ouvidas pela Agência Estado, teria proposto que a companhia de energia paulista Elektro, adquirida no início do ano pela Iberdrola, por US$ 2,4 bilhões, entrasse no acordo como moeda de troca, sendo incorporada pelo fundo de pensão.

Com isso, a Previ daria início ao processo de fusão entre a Elektro e a também paulista CPFL Energia, na qual o fundo de pensão participa do bloco de controle, mas os espanhóis estariam reticentes quanto a essa troca. Até o início do ano, a intenção da Previ era unir a CPFL e a Neoenergia.

A próxima reunião do conselho de administração da Neoenergia será na sede da Iberdrola, na Espanha, na primeira semana de outubro, quando pode ser decidida a aprovação do acordo. A Iberdrola corre contra o tempo, pois precisa lançar o resultado no balanço de 2011.

Para isso, precisará também que o acordo tenha a aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e, pelas novas regras internacionais de contabilidade (IRFS), só pode contabilizar o resultado da Neoenergia sendo majoritária. Em maio deste ano, os acionistas da Iberdrola haviam aprovado em assembleia que a direção da empresa tomasse as medidas necessárias para assegurar o controle acionária da Neoenergia.