Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

IBC-Br sugere crescimento menor e derruba juros curtos

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – Em apenas uma semana, a convicção de que a taxa básica de juros seria cortada em 0,5 ponto porcentual no fim de maio virou pó. Até a última sexta-feira, quase ninguém se arriscaria a contrariar a parcimônia pregada pelo Banco Central, mas nesta sexta-feira, pouco mais da metade do mercado já acredita que Selic pode ficar 0,75 pp menor ao fim do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do próximo dia 30. Além da piora externa que se alongou por toda a semana, o índice de atividade econômica do BC (IBC-Br) com contração de 0,35% em março ante fevereiro, foi o gatilho para colocar muitos investidores na ponta mais agressiva das apostas.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (544.630 contratos) estava em 7,75%, de 7,79% ontem e de 7,95% na sexta-feira da semana anterior. O DI janeiro de 2014 (420.605 contratos) cedia a 8,07%, de 8,18% no ajuste e 8,47% há uma semana. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (74.650 contratos) marcava 9,46%, de 9,54% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2021 (4.695 contratos) apontava 10,02%, de 10,09% e após migrar para o patamar de um dígito no intraday, a 9,94%.

A queda de 0,35% do IBC-Br ficou perto do piso das estimativas colhidas pelo AE Projeções, que era de recuo de 0,40% e muito abaixo da mediana, que era positiva em 0,40%. No trimestre, o índice registrou expansão de 0,15%, com ajuste sazonal. O dado é considerado uma espécie de antecedente para o Produto Interno Bruto. Mas o PIB do primeiro trimestre só será conhecido no dia 1º de junho, dois dias após a próxima reunião do Copom.

Diante do resultado do IBC-Br, já houve quem revisasse suas projeções de crescimento para baixo. É o caso do economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho. Em suas contas, o PIB do primeiro trimestre avançará apenas 0,21% em relação ao quarto trimestre de 2011m ante projeção anterior de +0,42%, e no acumulado de 2012, de 2,97% para 2,46%. “O movimento mais moderado da atividade econômica não somente no primeiro, mas também no segundo trimestre, inferior ao produto potencial, reforça a probabilidade de que o BC mantenha o ritmo de queda da Selic em 0,75 ponto porcentual”, afirmou em relatório. Por enquanto, os juros curtos indicam cerca de 60% de chance de a Selic cair de 9% para 8,25%.

Lá fora, o dia foi de poucos indicadores, mas os temores em relação à Grécia e à Espanha persistem. O comissário europeu de Comércio, Karel De Gucht, afirmou que planos de contingência estão sendo elaborados no caso da Grécia deixar a zona do euro. Na Espanha, os empréstimos podres dos bancos aumentaram para um recorde de 17 anos em março – 8,37% dos empréstimos totais feitos pelos bancos, ou 147,97 bilhões de euros, estavam vencidos há mais de três meses em março, acima de 8,30% em fevereiro.