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Grécia vê Hollande como uma alternativa para austeridade na UE

A Grécia espera que a possível eleição do socialista François Hollande à presidência francesa gere mudanças nas políticas de austeridade da Europa, em um momento em que as apostas são de que a recessão grega durará mais que o previsto.

Desde segunda-feira, veículos da imprensa grega de todas as tendências políticas se referem à esperança que a Grécia depositou no resultado eleitoral de Hollande, que encabeçou o primeiro turno dos comícios presidenciais de domingo, à frente do presidente Nicolas Sarkozy.

“A vitória de Hollande no primeiro turno constitui uma forte mensagem de mudança nas relações de força na Europa”, disse nesta terça-feira o jornal Ethnos (centro-esquerda).

Na semana passada, o jornal de maior tiragem do país, Ta Nea (centro-esquerda), chegou a comparar Hollande com um “Roosevelt europeu”, por sua defesa do crescimento econômico e por sua oposição à austeridade generalizada.

Nesta terça-feira, o jornal afirmou que “a eleição de Hollande” constitui uma “esperança” para os gregos, cujo poder aquisitivo tem sofrido cortes salariais no setor público e agora também nas empresas privadas.

Inclusive o jornal Elefteros Typos, órgão quase oficial do partido conservador Nova Democracia (ND), felicitou o resultado eleitoral do candidato socialista francês.

Segundo o periódico, a população grega deseja que Hollande aplique suas propostas sobre a revisão do pacto de estabilidade.

Esta “esperança” de mudança da política imposta pela Alemanha surge em um momentos em que se anuncia uma recessão mais profunda que o previsto em 2012.

A economia de Grécia se contrairá este ano em cerca de 5%, depois de ter caído 6,9% em 2011, segundo as projeções anuais do Banco Central publicadas nesta terça-feira, que revisam as cifras divulgadas em março.

Este país da Eurozona, abalado pela crise da dívida, atravessa seu quinto ano consecutivo de recessão.

O Banco Central manteve no mesmo nível sua previsão de alta da taxa de desemprego, que ultrapassará os 19% em 2012, frente aos 17,7% registrados no ano passado, quando foram perdidos 300.000 postos de trabalho, segundo cifras oficiais.

“A recessão será menos intensa que em 2011 contanto que as medidas estruturais (negociadas com os credores do país) se apliquem de forma imediata”, estimou o Banco Central.

Contudo, até mesmo os empresários gregos questionam esta análise.

“A redução generalizada de salários que pede a troika de credores do país só favorece a recessão”, disse Angelos Tsakanikas, economista-chefe do instituto patronal de investigação IOBE.

Atenas aceitou reduzir em 22% o salário mínimo – 32% para os jovens -, o que impulsionou uma queda generalizada nos salários do país, com o finalidade de tornar a economia mais “competitiva”. O resultado prático até o momento, no entanto, é que a qualidade de vida caiu significativamente e a recessão continua.