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Grécia entrega proposta a líderes europeus e pede apoio ao Parlamento

Caos econômico e bancário deixou governo grego sem opção: Tsipras promete austeridade, tal como pedem os membros do Eurogrupo

O governo grego enviou na noite desta quinta-feira às autoridades europeias e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) o detalhamento de sua proposta de reformas para tentar convencer os credores de sua dívida a liberar mais recursos para sanar a crise fiscal que se abate sobre o país. A proposta prevê cortes de gastos de 13 bilhões de euros, em troca de um pacote de resgate de 50 bilhões de euros e da permanência do país na União Europeia, segundo fontes ouvidas pela rede BBC e pelo jornal The Guardian.

Em reunião nos últimos dois dias, os ministros gregos concordaram que o estado caótico da economia e a falta de liquidez do sistema bancário não deixava outra opção ao governo que não ceder às demandas de austeridade dos credores, mesmo que o referendo realizado no último domingo tenha mostrado que a população não concorda com os cortes. O parlamento grego votará as medidas na sexta-feira, mas o governo deve encontrar resistência na esquerda radical. O partido comunista grego já convocou seus apoiadores, via Twitter, a se reunir em Atenas contra a proposta, que eles chamam de “memorando bárbaro”, em referência à Alemanha.

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O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, foi o único a confirmar, até o momento, ter recebido a proposta, por meio de seu porta-voz. O prazo para o envio do plano detalhado era até à meia-noite desta quinta. Alguns membros da ala mais radical do partido do primeiro-ministro, Alex Tsipras, se negaram a chancelar o envio da proposta. Mas o premiê declarou que, apesar da dissidência, o governo estava “pronto para se comprometer”. No sábado, uma reunião com 19 ministros das Finanças europeus ocorrerá em Bruxelas, em que será definido o futuro da Grécia, ou seja, se os credores aceitarão, ou não, o que o país tem a oferecer.

Dijsselbloem não fará nenhum comentário sobre o conteúdo das propostas até a conclusão pelas instituições responsáveis de uma avaliação sobre se os planos da Grécia oferecem uma base para as negociações de um empréstimo.

Caso os ministros europeus não achem que a proposta grega é convincente, poderão negá-la. Com isso, caberá aos chefes de estado do Eurogrupo preparar, no domingo, a saída do país da zona do euro.

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O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schauble, um dos maiores críticos à ideia de perdão da dívida grega, afirmou nesta quinta que o país tem de anunciar a implementação das reformas antes mesmo da reunião de sábado. “Apenas façam. É a única forma de tentar recuperar a confiança perdida”, afirmou à imprensa.

Crise do euro – Bancos gregos estão fechados desde 29 de junho, quando controles sobres capitais foram impostos e os saques em espécie foram limitados, seguindo o colapso de negociações anteriores para um resgate ao país.

A Alemanha, o maior credor, deu um pequeno passo de concessão a Atenas, ao concordar que a Grécia precisará de certas reestruturações da dívida como parte de um programa de empréstimos de três anos que viabilizaria sua economia.

A Grécia já possui dois resgates no valor de 240 bilhões de euros vindos da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional, mas, desde que a crise começou, sua economia despencou, o desemprego subiu acima de 25% e um a cada dois jovens no país está fora do mercado de trabalho.

(da Redação)