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Grécia em maratona política para formação de governo

Evangelos Venizelos, dirigente do Partido Socialista (Pasok) e artífice do plano de austeridade rejeitado por mais da metade dos gregos, é agora o encarregado de formar um governo de coalizão em uma Grécia à beira do precipício.

Após dois fracassos sucessivos – do líder conservador da Nova Democracia, Antonis Samaras, e do chefe da esquerda radical Syriza, Alexis Tsipras -, Venizelos é o novo incumbido da missão de tentar formar um governo de “unidade nacional” pró-europeu.

Caso o líder do Pasok fracasse, o chefe do Estado, Carolos Papulias, terá que reunir aos chefes dos partidos no que seria a última oportunidade de tentar dotar o país de um governo “de unidade nacional”, segundo a Constituição.

O fracasso de Venizelos, no entanto, parece o mais certo “Não estou otimista, as coisas não estão fáceis”, admitiu ele depois de receber o mandato de Papulias.

Ao mesmo tempo, Venizelos não descarta a possibilidade de obter sucesso, porque, segundo ele, “o povo quer estabilidade e a permanência no euro e não deseja novas eleições”.

O Passok foi reduzido a 41 deputados dos 300 do Parlamento após o castigo infligido pelos gregos nos comícios de domingo aos partidos pró-austeridade. Além do Pasok, também foi castigada a Nova Democracia, que governou juntamente deste último desde novembro.

Juntamente do primeiro-ministro da coalizão, Lucas Papademos, Venizelos foi o artífice do acordo sobre o segundo empréstimo da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que levou a condenação de cerca de um terço da dívida soberana grega.

Este ex-ministro de Finanças tem advertido aos partidos radicais que têm recebido o apoio majoritário de uma população farta de austeridade que o descumprimento dos compromissos com seus provedores de fundos – UE e FMI- culminaria na saída da Grécia do euro.

“As possibilidades de formar um governo são maiores que as de quarta-feira (quando Tsipras foi incumbido com esta tarefa). Contudo, não se pode concluir nada antes do final de semana”, disse à AFP o analista Georges Sefertzis.

O líder socialista quer uma coalizão com os “partidos pró-europeus”, incluindo a esquerda radical que representa Syriza que é contra a austeridade, para formar um governo “ao menos durante alguns meses para evitar o beco sem saída política e dar tempo as forças políticas que se reposicionem na Europa e na Grécia”, diz Sefertzis.

Apesar de as incertezas políticas na Grécia continuarem agitando os mercados, as principais bolsas europeias encerraram a quinta-feira em alta, lideradas por Madri, que registrou ganho de 3,42% nesta sessão, com IBEX 35 fechando aos 7.045,7 pontos.

A decisão da Comissão Europeia na quarta-feira de entregar à Grécia 4,2 bilhões de euros em créditos contra os 5,2 bi inicialmente previstos, tem sido interpretada como uma advertência lançada por seus sócios à Grécia, que depende destas injeções de capital para evitar a bancarrota.

“A Europa adverte”, diz a manchete do jornal grego Kathimerini, enquanto que o pró-socialista Ta Nea vê neste corte de 1 bilhão de euros uma “dura mensagem aos credores”.