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Governo minimiza decepção com a balança de 2012

Ministra interina do MDIC, Tatiana Prazeres, diz que União já esperava resultado menor. Saldo será positivo em 2013, diz ela, mas ministério não faz estimativa

Setor privado estima nova queda do superávit brasileiro em 2013, para 14 bilhões de dólares; importações da Petrobras podem piorar ainda mais a projeção

A ministra interina do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, disse nesta quarta-feira que o governo espera um saldo comercial positivo para 2013, mas se recusou a fazer uma projeção. Ela também minimizou o fato de o superávit comercial de 2012, de 19,43 bilhões de dólares, ter sido o menor dos últimos dez anos. “Para o ano de 2013, não é possível estabelecer nenhum tipo de parâmetro, a não ser que novamente teremos um saldo positivo na balança comercial”, afirmou. “Nossa expectativa era de que teríamos saldo positivo em 2012 e de que ele seria inferior ao verificado em 2011. Isso foi confirmado”, acrescentou.

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Segundo a ministra, a queda nas exportações no ano passado ante 2011 decorreu essencialmente de três fatores: a queda nos preços internacionais, a retração do mercado europeu e o aumento das barreiras comerciais em outros mercados. Ela também admitiu que o saldo comercial do período poderia ter sido até menor do que o divulgado, pois a Petrobras tem 50 dias após o desembaraço para registrar operações. Essas transações, porém, entrarão somente nos dados de 2013. Em novembro, ao regularizar operações registradas em meses anteriores, as importações de combustíveis atingiram 4,5 bilhões de dólares. “Boa parte do passivo foi registrada naquela ocasião. É possível e provável que tenhamos operações a serem registradas, mas num valor bastante inferior ao de novembro”, disse. “Mais informações sobre isso, só a Petrobras terá”, completou.

A ministra interina falou ainda que a expectativa do governo é que as vendas externas em 2013 mantenham-se em patamar elevado. “Não falaremos em números. A expectativa é de que nossas vendas se mantenham no patamar elevado registrado no último biênio, quando tivemos recordes para nossas exportações”, afirmou.

A ministra interina falou que colaboram para um cenário positivo para o comércio exterior em 2013 a perspectiva de aumento da safra agrícola, que deve elevar as exportações do Brasil, e o aumento dos preços externos de grãos. Ela também espera a recuperação do preço internacional do minério de ferro.

AEB – O setor privado possui visão menos otimista. O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto Castro, afirmou que a perspectiva de melhoria da economia mundial apenas em 2014, sobretudo na zona do euro, deverá provocar nova queda no superávit brasileiro. Segundo o especialista, a projeção para este ano é de 14 bilhões de dólares, contra 19,43 bilhões de dólares em 2012.

“A Europa é responsável por 35% da corrente comercial do mundo. E o cenário para o continente é ruim para este ano, com aumento do desemprego e redução da quantidade dos produtos internacionais, o que, inclusive, poderá reduzir cotações de produtos que vendemos para fora”, comentou. Ele acredita que os embarques em 2013 deverão cair 1%, baixando de 242,58 bilhões de dólares para 239 bilhões de dólares. Quanto às importações, Castro estima alta de 0,4%, de 223,14 bilhões de dólares para 225 bilhões de dólares. “Mas dependendo das compras de petróleo pela Petrobras, esse volume de importações poderá ser um pouco maior”, disse.

Castro estima, por exemplo, que o preço médio da tonelada do minério de ferro pelo parâmetro FOB Brasil deve baixar de 95 dólares em 2012 para 93 dólares neste ano. Ele acredita que isso deverá ocorrer em função de um quadro macroeconômico caracterizado por três variáveis em 2013. Uma delas é que a China terá um papel neutro, pois deverá crescer 7,5%, um patamar muito próximo do que foi registrado no ano passado. “No caso dos EUA, o afastamento do risco de mergulhar no abismo fiscal não significa que o país ingressará num processo vigoroso de crescimento, mas sim que evitará entrar em recessão e deve apresentar expansão ao redor de 2% neste ano”, disse. “A zona do euro deve enfrentar uma situação dura em 2013 e, na melhor das hipóteses, ficará com um resultado nulo de crescimento, para não falar em leve recessão”, disse.

Simplificação – Segundo Tatiana Prazeres, uma das metas do governo para 2013 é a simplificação das operações de comércio exterior. Sem entrar em detalhes, ela informou que será criada uma espécie de guichê único, que organizará num mesmo espaço todos os órgãos intervenientes, para oferecer interface única ao usuário. “É um esforço de longo prazo para simplificar as operações de comércio exterior, que parte de instrumentos existentes como nota fiscal eletrônica”, disse.

Carnes – Ela informou ainda que o Palácio do Planalto estuda no momento o melhor instrumento para questionar as barreiras impostas às exportações de carne bovina brasileira. Ela falou que o país pode, inclusive, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). “A possibilidade de um contencioso nunca foi descartada. Não hesitaremos em fazer, se tivermos de reduzir barreiras incompatíveis com as regras”, afirmou.

Tatiana Prazeres explicou que a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) mantém as exportações brasileiras de carne bovina como risco insignificante. “Se não há parâmetro de risco sanitário, a barreira é considerada protecionista na OMC”, disse. O Brasil acredita que a decisão de alguns países não tem respaldo no risco sanitário. “A nossa preocupação já foi expressa no âmbito da OMC e as consultas ocorrem o tempo todo”, disse.

Tatiana disse que há problemas com Japão, China, África do Sul, Arábia Saudita, Chile (em alguns produtos) e Jordânia (só para o Paraná). Segundo ela, até novembro, estas barreiras afetam 4,4% das exportações brasileiras de carne bovina.

(com Estadão Conteúdo)