Europa: sem crescimento, as tensões nos mercados se prolongam

Apesar da chuva de euros liberada pelo Banco Central Europeu (BCE) recentemente, os mercados financeiros voltaram a ficar agitados pela crise da dívida, preocupados especialmente com o crescimento anêmico na zona do euro.

Após um sólido primeiro trimestre, as Bolsas europeias têm registrado fortes quedas recentemente. Na última semana, Paris perdeu 6%, Madri 7% e Milão 9,5%.

As tensões têm se voltado ao mercado da dívida, onde os investidores pedem um rendimento muito alto para comprar dívida de países considerados pouco confiáveis como a Espanha, que tem que pagar juros de 5,97% por bônus a 10 anos.

A taxa de risco espanhola – o diferencial com relação ao bônus alemão a dez anos, de referência – chegou nesta terça-feira aos 433 pontos, 7,78% maior que na véspera.

A taxa de risco da Itália também está a 404 pontos.

“No primeiro trimestre houve um excesso de euforia pelo qual estamos pagando caro agora. Esperamos muito pelas operações do BCE”, diz Gilles Moec, economista-chefe do Deutsche Bank.

O BCE emprestou um total de quase um trilhão de euros aos bancos da zona do euro em dezembro e em fevereiro a uma taxa de juros de 1%. Contudo, os bancos têm concentrado seus investimentos nas dívidas dos Estados, preferindo conservar uma grande parte deste dinheiro ao invés de desendividarem-se.

Do outro lado do Atlântico, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) continua emprestando dinheiro a baixo custo e tem descartado outras medidas excepcionais para a economia.

Para Christian Parisot, da corretora Aurel BGC, “o mercado tem se dado conta de que a salvação não pode vir dos bancos centrais e por isso o foco tem sido direcionado para o crescimento”.

Neste sentido, as más notícias não param de crescer: a zona do euro entrará em recessão a partir do primeiro trimestre e será muito mais dura nos países do sul da Europa, dizem os especialistas.

Lisboa prevê uma contração de 3,4% de sua economia em 2012, Roma trabalha com um retrocesso de 1,3% a 1,5%, segundo o jornal italiano Il Sole, e Madri antecipa uma queda de 1,7%.

Apesar de a dívida da Espanha não ter nada a ver com a da Grécia, “o mercado teme uma crise das ‘subprimes’ europeia já que os bancos do país estão muito expostos ao setor imobiliário”, diz Alexandre Baradez, analista de Saxo Banque. “Madri elaborou um programa de austeridade sem precedentes, mas os investidores têm se questionado sobre sua viabilidade devido à taxa de desemprego recorde”, completa.

Outro motivo de preocupação é que os países emergentes, que durante muito tempo foram considerados como válvula de escape para salvar a economia europeia, mostram também sinais de esgotamento.