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Europa faz planos para possível saída grega do euro

Por Sebastian Moffett e Mike Peacock

BRUXELAS/LONDRES, 18 Mai (Reuters) – As autoridades europeias estão trabalhando em planos de contingência no caso de a Grécia sair da zona do euro, afirmou nesta sexta-feira o comissário comercial da União Europeia (UE), Karel De Gucht, enquanto Berlim disse estar preparada para todas as eventualidades.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, um dos críticos mais ferrenhos da Grécia, disse que a turbulência do mercado, alimentada pela crise da dívida da zona do euro, pode durar um ano ou dois.

“Quanto à crise de confiança no euro … em 12 a 24 meses, vamos ver uma calmaria nos mercados financeiros”, afirmou.

Os formuladores de políticas insistem que querem que a Grécia permaneça na zona do euro, mas o comissário de Comércio da União Europeia, Karel De Gucht, disse que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu estavam trabalhando em cenários caso o país tenha que sair.

“Um ano e meio atrás, talvez houvesse o risco de um efeito dominó”, disse De Gucht ao jornal belga em língua holandesa De Standaard.

“Mas hoje há no Banco Central Europeu, bem como na Comissão, serviços que trabalham em cenários de emergência se a Grécia não conseguir. A saída grega não significa o fim do euro, como alguns dizem.”

Especulações sobre tal planejamento têm sido abundantes, mas os comentários de Gucht, que foram confirmados por uma pessoa próxima a ele, pareciam ser a primeira vez que um oficial da UE reconheceu a existência de contingências sendo elaboradas.

Um porta-voz do Ministério das Finanças alemão, questionado sobre os planos para uma possível saída grega, disse sem dar mais detalhes: “O governo alemão tem, naturalmente, a responsabilidade com seus cidadãos de estar preparado para qualquer eventualidade”.

Mas um porta-voz da Comissão Europeia, o braço executivo da UE, escreveu no Twitter que não havia planejamento ativo.

“A Comissão Europeia nega firmemente (que) está trabalhando em um cenário de saída para a Grécia”, escreveu Oliver Bailly. “A Comissão quer que a Grécia permaneça na zona do euro.”

As ações no mundo caíram e os custos de empréstimos na Alemanha atingiram recordes de baixa conforme incerteza sobre o futuro da Grécia na zona do euro e o aprofundamento da crise bancária espanhola reforçaram a busca por ativos seguros.

Os investidores foram abalados por um rebaixamento nos ratings de 16 bancos espanhóis pela Moody’s Investors Service, embora a ação já fosse esperada.

O sentimento azedou a tal ponto que uma pesquisa de opinião mostrando que os gregos estão voltando a apoiar os partidos que apoiam o resgate do país teve pouco impacto.

Se eles votarem dessa forma nas eleições de 17 de junho, o lugar da Grécia na zona do euro ficaria mais garantido e a ameaça de contágio para países como a Espanha iria diminuir.

A pesquisa, a primeira realizada desde que as negociações para formar um governo fracassaram e uma nova eleição foi convocada, mostrou o partido conservador Nova Democracia em primeiro lugar, vários pontos à frente do radical de esquerda Syriza, que prometeu rasgar o programa de resgate de 130 bilhões de euros.

“Cabe aos políticos gregos explicar a realidade a seu povo e não fazer falsas promessas”, disse Schaeuble à rádio francesa Europe 1. “Queremos que a Grécia fique no euro, mas cumpra os seus compromissos, e isso é uma decisão que cabe aos gregos.”

(Reportagem adicional de Julien Toyer e Jesus Aguado em Madri, Harry Papachristou e Peter Graff em Atenas)