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Estoque de crédito cresce 11,3% em 2014, menor ritmo em sete anos

Ano foi marcado por estímulos do Banco Central à concessão de crédito, como a redução do compulsório bancário

(Atualizada às 13h30)

O estoque total de crédito no Brasil subiu 2% em dezembro na comparação com novembro, encerrando 2014 com expansão de 11,3%, o menor ritmo desde 2007, informou o Banco Central nesta terça-feira.

Com o resultado, o mercado de crédito chegou a 3,02 trilhões de reais, ou 58,9% do Produto Interno Bruto (PIB), no ano passado. As operações com recursos livres (crédito que não tem destino pré-determinado) alcançaram 1,57 trilhão de reais em dezembro, crescimento de 1,7% em relação a novembro e de 4,7% em doze meses. Já a carteira de recursos direcionais, que têm destinos pré-estabelecidos com o mercado imobiliário e agricultura, somou 1,44 trilhão de reais, com expansões de 2,4% no mês e 19,6% em 2014.

No segundo semestre do ano passado, o Banco Central (BC) anunciou medidas para elevar a disponibilidade de crédito no mercado e, com isso, estimular a economia. Foram alteradas, por exemplo, as regras do compulsório bancário – a contribuição obrigatória que os bancos fazem junto ao Banco Central. Ao reduzir a taxa do compulsório, o BC permite a liberação automática de mais recursos ao sistema financeiro, portanto, para que os bancos possam emprestar a seus clientes. Com as medidas, estariam ‘livres’ para serem injetados na economia até 70 bilhões de reais.

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O BC informou ainda que a inadimplência no segmento de recursos livres (crédito que não tem destino pré-determinado) ficou em 4,8% em dezembro, ante 4,9% em novembro.

Ainda de acordo com a Nota de Política Monetária do BC, o spread bancário – diferença entre o custo desembolsado pelos bancos para captar dinheiro e o custo para quem o toma emprestado – foi de 20,4 pontos porcentuais também neste segmento, abaixo dos 21,1 p.p. vistos no mês anterior.

Desaceleração – Ao comentar as informações da Nota de Política Monetária, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, avaliou nesta terça que a tendência é de crescimento mais moderado do crédito no país. Segundo ele, dezembro é um mês tradicionalmente mais forte, mas a alta de 2% no crédito total foi menor do que o registrado no fim de 2013.

Segundo Maciel, esse movimento de moderação também é influenciado, entre outros fatores, pelo crédito imobiliário, que na visão dele, “cresce a um ritmo relevante, mas mostra moderação a cada mês”. Ele observou ainda que houve moderação do crédito rural em dezembro, modalidade que havia crescido mais em 2013.

Maciel ponderou que, no caso de capital de giro, que também mostrou um ritmo menor de avanço, a desaceleração é reflexo da atividade econômica fraca em 2014 frente a 2013. “A tendência do crédito tem sido de moderação do crescimento”, reforçou.

(Com agência Reuters)