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ENTREVISTA-Líder da oposição de Portugal quer metas mais leves

Por Axel Bugge e Sergio Goncalves

LISBOA, 25 Mai (Reuters) – Portugal está seguindo equivocadamente uma política de “austeridade a qualquer preço” e precisará de pelo menos mais um ano para reduzir seu déficit orçamentário à meta estabelecida sob o programa de resgate de 78 bilhões de euros, afirmou o líder da oposição socialista do país, Antonio Jose Seguro.

Seguro alertou que a Europa deve encontrar urgentemente formas de ajudar as economias mais fracas da zona do euro, mas disse que Portugal continuará no bloco monetário mesmo se a Grécia o deixar.

“Toda a informação que eu tenho me mostra que Portugal tem todas as condições para continuar na zona do euro, mesmo se a Grécia sair”, disse Seguro em uma entrevista à Reuters.

Ele afirmou que deveria ser dado a Portugal mais um ano para atingir as metas orçamentárias estabelecidas sob os termos do resgate, para além de 2013, quando o país prevê voltar a se financiar por meio dos mercados de títulos.

Portugal é atualmente o segundo país de maior risco na zona do euro, estando apenas atrás da Grécia em termos de spreads de títulos, na comparação dos yields de sua dívida governamental com os da Alemanha.

“Eu estou defendendo (a ideia de que) Portugal precisa de pelo menos mais um ano para executar uma consolidação saudável e inteligente de suas contas públicas”, disse Seguro. “É evidente que os portugueses não podem aguentar mais medidas, nem as famílias, nem as empresas.”

Seguro afirmou ainda não acreditar que Portugal precisa de mais fundos de resgate, como sugerido por muitos economistas.

Sob o resgate de 78 bilhões de euros, Portugal precisa apresentar um déficit de 4,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, comparado com 4,2 por cento no ano passado. Em 2013, essa taxa deve ser reduzida para 3 por cento.

“AUSTERIDADE A QUALQUER PREÇO”

“Essa receita de austeridade a qualquer preço não está resolvendo nada”, disse Seguro, acrescentando que a eleição de François Hollande na França alterou os termos do debate sobre como resolver a crise da zona do euro.

“Se eu fosse o primeiro-ministro, eu também teria adotado medidas de austeridade, mas não com a força e o ritmo que está sendo implementada em Portugal. A política precisa mudar, dando prioridade ao emprego e ao crescimento e reconciliando isso com disciplina orçamentária.”

Para fazer isso, ele disse que a Europa precisa adotar medidas rapidamente para ajudar suas economias mais frágeis, por meio da emissão de títulos comuns da zona do euro e alterando os estatutos do Banco Central Europeu (BCE) para impulsionar os empréstimos diretos do banco a países em dificuldade.