Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Empresas brasileiras estão entre as que mais trocam de CEO

No último ano, países do cone sul trocaram de presidentes mais do que a média global

Brasil, Argentina e Chile são os países que mais trocam de CEOs em todo o mundo, com um índice de 17,7% em 2016. A média global é de 14,9%. Os dados são do levantamento da PwC, que durante janeiro e dezembro de 2016 analisou mudanças de comando em 2.500 maiores empresas abertas do mundo.

A pesquisa ainda revela que cresceu o número de profissionais que deixam os cargos por desvios éticos em todo o mundo: um aumento de 36% nos últimos cinco anos. A troca envolvendo questões éticas passou de 3,9% do total de substituições entre 2007 e 2011 para 5,3% de 2012 a 2016.

Para o sócio da Strategy&, parte do Network PwC, Ivan de Souza, as empresas estão se preocupando mais em relação ao comportamento de suas lideranças desde a crise financeira de 2009. “Há mais cuidado com o nível de exposição e uma vigilância maior do que interessa aos consumidores e acionistas, além de regras mais restritas e complexas”.

Os países que formam o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, exceto China e África do Sul) foi o grupo que registrou o aumento mais expressivo no número de profissionais afastados devido à má conduta, 141%. Nos Estados Unidos e Canadá, o crescimento foi de 102%, enquanto nos países da Europa Ocidental foi de 41%.

A maioria das trocas de comando, porém, é planejada: mais de 80% nos BRICS e EUA/Canadá e pouco menos de 70% na Europa Ocidental.

Ainda assim, o número total de companhias que trocaram suas lideranças caiu entre 2015 e 2016. Em 2015, 16,6% das empresas tiveram mudanças no cargo de liderança, ante 14,9% em 2016.

De acordo com a pesquisa, a queda deve-se principalmente à redução de fusões e aquisições em 2016. “Em grande parte, esses processos acabam resultando na saída de um ou dois CEOs das empresas integradas quando o Conselho de Administração decide que a empresa precisa de uma liderança completamente nova. Como o número dessas transações diminui, há menos demissões por essa natureza”, disse Souza.

Em uma perspectiva global, a crise financeira norte-americana em 2007, causada pelo abuso na concessão de créditos imobiliários, diminuiu a tolerância em relação a má conduta empresarial. O uso do e-mail e das redes sociais também contribui para aumentar a vigilância das empresas em relação a desvios éticos. Outro ponto é que a facilidade de comunicação faz com que notícias e informações sobre escândalos e acusações de corrupção sejam divulgadas e replicadas de forma cada vez mais rápida.

Especificamente no Brasil, com as investigações como a Lava-Jato, a cobrança sobre as empresas cresceu. “Os casos de quebra de ética e corrupção contribuíram para a saída de CEOs. Temos maior transparência agora”.

O estudo também revela a taxa elevada de CEOs trocados em empresas de nações menos desenvolvidas em comparação com companhias de países desenvolvidos. “Nos países emergentes, a expectativa de resultados é alta e por vezes acaba não sendo realizada. Existe uma chance maior do CEO não transformar em resultado as promessas”.

Entre os executivos que se tornaram CEOs em 2016, apenas 3,6% são mulheres. Em 2015, as executivas representaram uma parcela ainda menor – 2,8%. A participação de mulheres entre os novos CEOs é mais alta nos EUA/Canadá (5,7%).

Em 2015, apenas quatro das maiores empresas do Cone Sul passaram a ser comandadas por mulheres, totalizando 12,1% dos novos executivos. Entretanto, nenhum dos novos CEOs da região é mulher. “É uma lacuna imensa da nossa região, que não dá papéis de liderança ou desenvolve as mulheres como líderes de negócios. É um processo lento”, afirmou o sócio da Strategy&.