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Em crise, G8 recorre ao setor privado no combate à fome

Por Andrew Quinn

WASHINGTON, 18 Mai (Reuters) – Envolvidos com a crise na zona do euro e com problemas políticos em seus países, os líderes das principais potências industrializadas do mundo estão recorrendo ao setor privado para ajudar no combate à fome e à desnutrição, problemas que afetam até 1 bilhão de pessoas no mundo.

O presidente dos EUA, Barack Obama, anuncia nesta sexta-feira uma nova parceria público-privada e deve levar à cúpula do G8, da qual será o anfitrião no fim de semana, a discussão sobre como os métodos de livre mercado podem estimular a produção de alimentos, especialmente entre pequenos agricultores da África.

A reunião deste ano do G8 –EUA, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Canadá e Rússia– terá como principal foco os problemas econômicos que assolam os países ricos, inclusive as preocupações com o futuro da zona do euro, e as propostas de usar os estoques emergenciais de petróleo para compensar o efeito das sanções sobre o Irã.

Mas autoridades dos EUA dizem que o governo Obama pretende também que o G8 tome medidas para melhorar a segurança alimentar global, retomando os compromissos assumidos pelo grupo em 2009, na Itália, quando foram prometidos 20 bilhões de dólares ao longo de três anos para estimular investimentos agrícolas em países pobres.

Uma disparada dos preços alimentícios em 2008 causou um agravamento da fome e da desnutrição, além de distúrbios sociais em vários países, num reflexo dos vários anos de investimentos insuficientes na agricultura nos países em desenvolvimento.

Os preços permanecem altos e voláteis desde então, registrando alta de 40 por cento entre junho e dezembro de 2010, por exemplo. O milho e o trigo dobraram de valor nesse período, sobrecarregando principalmente os países pobres.

Obama, que faz da melhoria da oferta alimentícia ponto central da política norte-americana de ajuda ao desenvolvimento internacional, deve anunciar uma nova iniciativa para melhorar a nutrição de 50 milhões de pessoas vulneráveis, especialmente na África, ao longo da próxima década.

Ele também irá anunciar uma nova parceria com gigantes do agronegócio, como DuPont, Monsanto e Cargill, junto com companhias menores, incluindo quase 20 da África. Isso resultará na liberação de cerca de 3 bilhões de dólares para projetos que ajudem agricultores de países em desenvolvimento a desenvolverem os mercados locais e melhorarem a produtividade.

O foco será em cerca de 30 países, onde vivem em torno de 26 por cento dos 1,4 bilhão de miseráveis do planeta, e que já têm planos de desenvolvimento agrícola precisando de doadores. Entre esses países estão Bangladesh, Benin, Moçambique, Nepal, Nigéria, Ruanda, Serra Leoa, Zâmbia, Uganda, Tadjiquistão e Etiópia.