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Eletrobras é única interessada na portuguesa EDP

Estatal quer comprar os 21% da EDP que pertencem ao governo de Portugal; oferta não está definida, mas deve girar em torno de 2 bilhões de euros

A Eletrobras é a única companhia que se mostrou interessada na fatia de 21% da EDP – empresa de energia pertencente ao governo de Portugal e que, no Brasil, possui diversos ativos como a EDP Bandeirante e a EDP Escelsa – informou nesta terça-feira o presidente da estatal, José da Costa Neto. Segundo o executivo, a Eletrobras deverá definir, nos próximos dias, o valor que será oferecido pela participação na empresa portuguesa. O prazo-limite para entrega da proposta é 21 de outubro.

Uma reunião está marcada para a próxima quinta-feira com o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, para discutir o assunto. Em seguida, haverá uma reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão e, na semana que vem, deve ser realizada uma reunião extraordinária do conselho de administração da Eletrobras, do qual Zimmermann é presidente, para aprovar a proposta. Além do preço, a proposta deve incluir um projeto industrial e orientações relacionadas à governança corporativa.

Costa Neto não indicou qual deve ser o total da proposta, mas citou que o valor de mercado da EDP hoje é de aproximadamente 9 bilhões de euros, o que coloca a fatia ofertada em cerca de 2 bilhões de euros. “Tem que avaliar o fluxo da empresa para definir o valor. Tem gente que acha que esse valor está subavaliado”, afirmou. Ele ressaltou que a intenção da Eletrobras é vencer o leilão, mas que a empresa “não pretende fazer nenhuma loucura”. Ele não revelou, no entanto, qual seria o “limite de atratividade”.

O executivo disse ainda que está em entendimentos finais com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obter o financiamento da operação. Além disso, o Santander está atuando como consultor do negócio e uma banca advocatícia de Portugal também orienta a estatal.

O presidente da Eletrobras informou que não há um cronograma para a segunda fase da disputa, mas disse acreditar que o governo de Portugal deve selecionar alguns dos interessados em uma segunda fase. Segundo o executivo, poderão participar da disputa a alemã E.ON, além de empresas de origem francesa, chinesa e indiana, cujos nomes ele não citou.

De acordo com Costa Neto, a meta do governo de Portugal é decidir o vencedor antes do fim do ano. O executivo participou hoje da 42ª General Assembly da World Trade Centers Association, que se realiza em São Paulo.

(com Agência Estado)