Eletrobras captará R$ 6,5 bilhões para investimentos e capital de giro

O presidente da estatal disse que montante é necessário para a manutenção dos planos das distribuidoras controladas pela companhia

O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, disse nesta quarta-feira que a estatal vai captar ainda este ano cerca de 6,5 bilhões de reais no mercado financeiro para garantir o orçamento necessário para a realização de seu plano de investimentos e para o capital de giro das distribuidoras de eletricidade controladas pela companhia. Segundo ele, essa captação já estaria quase fechada, faltando apenas alguns detalhes para a assinatura dos contratos. “Esse empréstimo já está equacionado e será capitaneado por BNDES, mas também teremos bancos privados na composição”, afirmou, na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados.

Carvalho Neto confirmou que as distribuidoras do grupo Eletrobras ainda têm “resquícios” de exposição ao mercado de curto prazo de energia, mesmo após o leilão emergencial de eletricidade realizado no fim de abril. “Cerca de 85% da nossa necessidade foi coberta pelo leilão, mas ainda sobraram 15% de exposição”, afirmou. Por isso, o executivo disse achar que o empréstimo de 11,2 bilhões de reais tomado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) não será suficiente para cobrir a necessidade financeira do setor de distribuição até o fim deste ano. “Ainda precisamos saber como será o período hidrológico dos próximos meses, mas acredito os recursos já contratados não serão suficientes” acrescentou.

Leia também:

Eletrobras tem o menor investimento para o 1º bimestre desde 2010

Leilão para frear preço da energia não resolve crise

‘Racionômetro’ vê corte de energia em setembro

Concessões – O executivo disse ainda que, apesar dos prejuízos bilionários registrados pela estatal nos últimos dois anos, a renovação antecipada das concessões de geração e transmissão foi vantajosa para a empresa. Para ele, se a Eletrobras não optasse pela renovação dos contratos no fim de 2012, ela teria que disputar novas licitações por esses mesmos ativos a partir de 2015 com preços até mesmo inferiores aos obtidos após a prorrogação das concessões.

“A renovação antecipada de concessões é vantajosa mesmo com prejuízos de 2012 e 2013. A maior vantagem é não precisarmos disputar novas licitações por esses ativos em 2015. Nosso plano de investimentos para as próximas décadas ocorrerá sem disputas”, afirmou.

Em 2012, a Eletrobras registrou um prejuízo de 6,9 bilhões de reais, influenciado pela atualização contábil da indenização pelo ativos das não amortizados das concessões renovadas, que foi menor que a esperada pela empresa. Já com as tarifas de geração e transmissão reduzidas, o prejuízo da empresa em 2013 foi de 6,2 bilhões de reais. “Esperamos reverter esse quadro em breve, total ou parcialmente”, completou Carvalho Neto.

(com Estadão Conteúdo)