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Donas de 15% do mercado regional, TAM e LAN consolidam tendência a fusões

Fuencis Rausell.

Santiago (Chile), 22 jun (EFE).- A fusão entre a brasileira Tam e a chilena Lan associará duas gigantes da aviação que, juntas, detêm 15% do tráfego aéreo na América Latina e consolidam a tendência à integração de grandes companhias aéreas já vista nos Estados Unidos e na Europa.

A operação foi realizada nesta sexta-feira na bolsa de São Paulo com o fechamento da oferta pública para que os acionistas da TAM trocassem suas participações por papéis da LAN.

Esta integração cria a Latam Airlines Group, com 51,6 mil funcionários e que se transformará na companhia aérea de maior valor de mercado do mundo (US$ 12,556 bilhões).

As companhias previram que a fusão gerará sinergias de até US$ 700 milhões, sendo que no primeiro ano da fusão elas deverão ser de US$ 170 milhões a US$ 200 milhões.

‘Se alguém fosse perguntado sobre o que acha que cada companhia vai ganhar com a fusão, provavelmente diria que a TAM se apropriará da eficiência da LAN, de sua administração e de sua visão estratégica, e que a LAN ganhará escalas e acessos a novas rotas’, disse à Agência Efe Francisco Castañeda, economista da Universidade de Santiago do Chile.

Segundo o especialista, ‘os altos preços dos combustíveis, a busca de compartilhamento de ativos, de marca e de conhecimento e a integração dos mercados’ fazem das fusões uma ‘tendência inevitável’.

‘A fusão aérea é uma tendência global’, ressaltou à Efe Patrício Sepúlveda, vice-presidente regional para a América Latina e o Caribe da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). Ele lembrou que, na Europa, a British Airways e a Iberia se uniram sob a marca International Airlines Group (IAG), e a Air France e a KLM confluíram na Air France-KLM.

Já nos Estados Unidos, a Delta Air Lines se associou em 2008 com a Northwest Airlines; a United Airlines se fundiu em 2010 com a Continental Airlines, e a Southwest Airlines adquiriu em março a AirTran. A mais recente união deste tipo no país teve seu início em abril, entre a US Airways e a American Airlines.

Embora assinale que a Iata não faz comentários sobre fusões específicas, Sepúlveda destacou que em geral ‘estas operações criam companhias maiores que são capazes de oferecer a seus clientes acesso a uma rede mais ampla de destinos’.

‘Além disso, a fusão pode ter como resultado companhias com finanças mais sólidas que estão melhor preparadas para enfrentar os altos e baixos dos ciclos econômicos’, acrescentou.

Mesmo assim, Sepúlveda aponta que o mercado aéreo continua altamente fragmentado: em 2011 existiam aproximadamente 800 linhas aéreas em todo o mundo.

Segundo números da Iata, em março a TAM foi responsável por 9,6% do tráfego total desde, rumo e dentro de América Latina e Caribe, enquanto o grupo LAN, incluindo suas filiais em Argentina, Colômbia, Equador e Peru, absorveu 5,8%. Somadas, as duas companhias atendem por 15,4%.

Esses números correspondem ao total de quilômetros-lugares disponíveis, obtido pela multiplicação da quantidade de assentos vagos em cada trajeto pela distância em quilômetros do trecho.

Atrás da soma das duas companhias estão American Airlines (7,5%), Air France-KLM (6,1%), Gol (5,9%), United Airlines (4,5%), Delta (4,2%), Avianca-Taca (4,2%), Iberia (4,1%), Aeroméxico (2,8%), Copa Airlines (2,7%) e Jetblue (2,1%).

De acordo com o economista Francisco Castañeda a fusão de TAM e LAN ‘não necessariamente vai se traduzir em maiores preços’. ‘Há rotas mais competitivas, e outras onde efetivamente haverá um poder monopólico’, adverte. EFE