Dólar encosta em R$ 3,47 e Bolsa despenca por cenário político

Moeda americana já subiu 6,18% em novembro, após eleição de Donald Trump e turbulência política do governo Temer no Brasil

O dólar saltou 2,4% nesta quinta-feira e encostou no patamar de 3,47 reais, maior nível em cinco meses e meio, influenciado pelo cenário político doméstico e por temores com os próximos passos do Federal Reserve, o banco central americano.

Foi o maior nível de fechamento desde 16 de junho (3,470 reais). Em novembro, o dólar já havia acumulado valorização de 6,18%, a maior mensal desde setembro de 2015.

Bolsa

Já o mercado acionário brasileiro encerrou o primeiro pregão de dezembro com a maior queda em 10 meses, em meio à cautela com o cenário político doméstico e receios com notícias sobre acordo de leniência da Odebrecht.

Com base em dados preliminares, o Ibovespa caiu 4,08%, a 59.379 pontos. A perda foi a maior desde 2 de fevereiro (-4,87%). O giro financeiro somava 11,1 bilhões de reais.

 

 

DÓLAR

Na mínima desta sessão, a moeda norte-americana marcou 3,3825 reais e, na máxima, foi a 3,4804 reais. O dólar futuro subia cerca de 2,5% no final desta tarde.

“O cenário político está conturbado, o que pressiona a moeda (norte-americana)”, resumiu o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.

Ele se referia à manobra frustrada do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de tentar aprovar urgência para votar o texto desfigurado das 10 medidas anticorrupção e que foram alvos de críticas pelo Ministério Público. Renan será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, por crime de falsidade ideológica, uso de documento falso e peculato.

A situação política mais sensível preocupa os investidores porque pode atrapalhar a votação de importantes medidas econômicas no Congresso Nacional.

Outro fator de preocupação foi o Fed, que se reunirá neste mês para definir o rumo da taxa de juros, com expectativas amplas dos agentes econômicos de que serão elevados. O mercado vai procurar pistas sobre o ciclo de aperto, sobretudo após a eleição de Donald Trump, que pode adotar uma política econômica inflacionária e pressionar o Fed por mais altas de juros.

“As incertezas domésticas somadas ao exterior acabaram gerando uma onda de ‘stops’. Quando o mercado está nervoso, qualquer coisa acaba superdimensionada”, comentou um operador de uma corretora nacional.

Pesquisa Reuters mostrou que a incerteza sobre o futuro do câmbio no Brasil e na América Latina disparou após a eleição de Trump para a Casa Branca, com chances de mais valorização do dólar nos próximos meses.

O dólar deve ser cotado a 3,49 reais no Brasil daqui a um ano, segundo a mediana das projeções de 28 analistas que variaram entre 3,88 e 2,98 reais. A grande variação das estimativas, que se repete para outras moedas, é um indicativo da incerteza sobre o câmbio na região.

O movimento de alta do dólar reforçou a cautela dos investidores por alguma intervenção do Banco Central brasileiro no mercado de câmbio. Mais uma vez, o BC não anunciou qualquer movimento nesta sessão, mas parte do mercado acreditava que a autoridade monetária poderá anunciar leilões de swaps tradicionais –equivalentes à venda futura de dólares– para rolar os contratos que vencem em janeiro, equivalente a 5 bilhões de dólares.