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Dólar à vista sobe com incertezas na zona do euro

Por Silvana Rocha

São Paulo – Embora desconfiem que a trégua na aversão ao risco no mercado internacional de moedas esta manhã pode a ser passageira, os agentes financeiros locais iniciaram os negócios com câmbio futuro vendendo dólar, movimento que se mantém até o momento. No mercado à vista, no entanto, a moeda começou a sessão em alta e, em seguida, alinhou-se aos preços futuros nos negócios de balcão, onde a divisa norte-americana retomou o sinal positivo.

Após abrir com valorização de 0,24%, a R$ 2,0550, o dólar balcão atingiu a mínima, de R$ 2,0490, com baixa de 0,05% às 10h07 e, em seguida, voltava a subir para máxima de R$ 2,0610, com alta de 0,54%. Na BM&F, o dólar spot começou a sessão com leve alta, de 0,27%, a R$ 2,0525, e, às 10h12, ganhava 0,32%, a R$ 2,0535.

No segmento futuro, desde a abertura as apostas dos investidores estão sintonizadas com a queda da moeda dos EUA diante do euro e de divisas “commodities”. O contrato de dólar para julho de 2012 abriu em baixa, a R$ 2,0680 (-0,27%), e até 10h10 havia oscilado entre máxima de R$ 2,070 (-0,17%) e mínima de R$ 2,0570 (-0,80%).

O descompasso inicial do dólar já reflete as incertezas que dominam os negócios. Os investidores estão receosos sobre os desdobramentos da eleição na Grécia no domingo e com o futuro da Itália, que pode ser o próximo país da zona do euro a necessitar de ajuda externa. Como ainda faltam informações sobre o plano de socorro de até 100 bilhões de euros aos bancos espanhóis, a expectativa é de que a cautela nas decisões volte a prevalecer ao longo da sessão. Às 10h13, o euro sustentava-se em alta, a US$ 1,2515, de US$ 1,2483 no fim da tarde de segunda-feira.

O desconforto com o impacto da crise externa sobre a economia brasileira maior que o esperado poderá justificar a continuidade da busca de proteção em dólar, apesar do movimento inicial de venda da moeda norte-americana no mercado futuro. O Banco Central brasileiro seguirá atento e, se voltar a identificar pressão acentuada sobre o dólar, deverá agir, com novo leilão de swap cambial ou outro instrumento de política cambial, afirma o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora. “O BC deve monitorar a demanda e, se precisar, poderá calibrar a oferta a fim de reduzir a volatilidade da moeda e trazer conforto ao mercado”, afirmou.

Neste mês, o BC já fez três ofertas de swap cambial e vendeu ao mercado um total de US$ 2,427 bilhões em swap cambial, com dois vencimentos. A última operação ocorreu ontem, quando a autoridade ofertou US$ 1 bilhão desses contratos, mas vendeu apenas US$ 400 milhões. Embora houvesse demanda para hedge ontem no mercado, o BC foi seletivo e não aceitou propostas com taxas desfavoráveis, disse um operador de um banco, para justificar o fraco resultado do leilão.

Nesta quarta-feira saem novos dados do setor externo e é possível que o mercado antecipe ao longo desta terça-feira eventual expectativa negativa para o fluxo cambial, afirmou a fonte do banco mencionado acima, sinalizando possível mudança de sinal do dólar ante o real na sessão. Vale lembrar que, em maio, pela primeira vez em 2012, o fluxo de dólares foi negativo no Brasil, em US$ 2,691 bilhões, ante ingressos acumulados em US$ 25,3 bilhões de janeiro a abril.