Dilma paga a conta do PAC de Lula

Presidente deixou de executar as próprias prioridades para quitar 16,1 bilhões de reais de despesas contratadas em 2010 e antes

Em seu primeiro ano de governo, a presidente Dilma Rousseff deixou de executar as próprias prioridades no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para quitar os restos a pagar deixados pela administração de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, até o momento, ela só conseguiu liquidar metade das contas penduradas. É o que mostra levantamento da Associação Contas Abertas. O governo deverá divulgar o segundo balanço oficial do PAC na semana que vem.

Dilma dispõe de 40,4 bilhões de reais no Orçamento de 2011 para o PAC. Porém, desse total apenas 5,6 bilhões de reais, ou 13,7%, saíram dos cofres públicos, o que significa que a obra ou serviço contratado foi realizado e pago. Do total previsto no Orçamento do ano, 17,9 bilhões de reais, ou 44%, estão parados na estaca zero. Não cumpriram nem sequer a primeira etapa do gasto público, que é o empenho, que corresponde ao comprometimento do dinheiro com um determinado contrato.

Mas, enquanto os gastos programados para 2011 ficaram em marcha lenta, o governo desembolsou 16,1 bilhões de reais para pagar despesas contratadas em 2010 e antes disso. Assim, somando-se os pagamentos referentes a este ano aos restos quitados de anos anteriores, a conclusão é que Dilma executou 21,7 bilhões de reais do PAC até agora, próximos dos 22 bilhões de reais registrados no ano de 2010 inteiro.

Apesar do esforço para pagar os restos de anos anteriores, Dilma só deu conta de metade das faturas deixadas por Lula. Ainda sobra um estoque de 16,4 bilhões de reais em restos a pagar. “Provavelmente ainda viraremos o ano com um saldo grande”, comentou o secretário-geral da Associação Contas Abertas, Gil Castelo Branco.

Conta – Somando o estoque deixado por Lula ainda não quitado, mais os restos gerados neste ano, referentes a despesas contratadas ainda não entregues, a conta chegaria a 32 bilhões de reais a ser transferida para 2012.

O programa Minha Casa Minha Vida, um dos carros-chefes da campanha eleitoral de Dilma, é o melhor exemplo da estratégia adotada este ano. Dos 12,7 bilhões de reais reservados para ele no Orçamento de 2011, apenas 0,05% (6,8 milhões de reais) foram desembolsados até agora. Mas, ao mesmo tempo, foram quitados 5,6 bilhões de reais em restos a pagar do programa. “Como explicar que um programa tão importante na campanha tenha uma execução tão pífia?”, questionou Castelo Branco. “Para mim, é não querer injetar recursos na economia com receio da inflação, que estava ascendente.” Mas, avalia ele, é difícil explicar isso ao cidadão.

A necessidade de conter a inflação é uma das causas para a baixa execução do PAC e outros investimentos do governo, mas não a única. A contenção dos gastos ocorre também pela opção de fechar as contas públicas com saldo positivo este ano, uma medida de prudência diante da crise.

Há, também, problemas gerenciais nos ministérios. O dos Transportes, responsável pela segundo maior Orçamento do PAC, passou meses mergulhado em crise. Outras pastas não tiveram autorização para gastar o que está no Orçamento porque Dilma resolveu mantê-las em rédea curta para evitar desvios.

(Com Agência Estado)