Default dos EUA poderá custar US$ 2 tri aos poupadores

Impasse do Congresso para aprovar o aumento do teto da dívida do país deve prejudicar poupança de aposentadoria

Ninguém sabe exatamente o que deverá acontecer se o Congresso e o governo do presidente Barack Obama não conseguirem chegar a um acordo para elevar o teto da dívida até de 17 outubro, quando se esgotam os recursos do Tesouro dos Estados Unidos. Mas um grupo colocou um preço sobre o quanto isso custaria à poupança de aposentadoria.

Em um relatório, a Sociedade Americana de Profissionais de Pensão e Atuária (ASPPA, na sigla em inglês) disse que o valor da poupança de aposentadoria dos norte-americanos pode cair em mais de 20% durante um período de alguns meses no caso de um default – o que representa uma perda de mais de 2 trilhões de dólares entre planos de pensão com base no empregador, planos de aposentadoria patrocinados pelo empregador e contas individuais de aposentadoria.

“Isso não é Wall Street, isso é Main Street”, disse o CEO da ASPPA, Brian Graff, descrevendo os grupos cujos ativos seriam perdidos. “A verdadeira tragédia é permitir que a sua segurança de aposentadoria se torne mais uma vítima dos fracassos políticos”.

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Graff disse que o relatório da ASPPA chegou às suas conclusões ao analisar o impacto econômico do debate sobre o limite da dívida em 2011 e as perturbações econômicas que seguiram o incidente. Esse debate não terminou em default. Mas, mesmo assim, de acordo com o relatório da organização, “os ativos de pensão privada recuaram 26% em relação ao local onde deveriam estar”.

Segundo Graff, a economia e os saldos dos poupadores estão ainda piores agora do que teriam ficado sem o impasse de 2011. Um calote hoje, diz ele, forçaria muitas pessoas a mudar a sua estratégia de aposentadoria e se aposentar mais tarde do que o planejado.

É claro que, após o impasse de 2011, os mercados se recuperaram e um investidor que vendeu em meio ao negativismo durante esse impasse poderia ter perdido alguns dos ganhos que se seguiram. Laurie Nordquist, diretora de aposentadoria institucional no Wells Fargo, oferece uma perspectiva de longo prazo. Ela observa que os investidores que se concentram no planejamento de longo prazo conseguem taxas melhores do que aqueles com reações “impulsivas” aos acontecimentos do mercado.

“Prever quando entrar e sair do mercado não é muito bom”, disse ela. “Os participantes de um plano precisam se concentrar sobre a melhor alocação para o longo prazo”.

Paralisações – As atividades da Casa Branca estão parcialmente paralisadas desde terça-feira passada, após o prazo para a votação do orçamento do novo ano fiscal ter expirado. Com a falta de acordo entre o Senado, cuja maioria é democrata, e a Câmara, de maioria republicana, os EUA também se aproximam de um possível calote no dia 17 de outubro, quando vencem inúmeras obrigações estatais no valor de 78 bilhões de dólares.

(com Estadão Conteúdo)