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David Bowie: Visionário no rock e nas finanças

Cantor britânico foi o primeiro a transformar seus direitos autorais em um investimento financeiro

Ingleses deixam flores em frente a uma famosa pintura de David Bowie em Londres, nesta segunda-feira

Ingleses deixam flores em frente a uma famosa pintura de David Bowie em Londres, nesta segunda-feira (VEJA)

Além de músico visionário, o britânico David Bowie, que morreu neste domingo, também causou sensação em Wall Street ao se tornar em 1997 o primeiro cantor a transformar seus direitos autorais em um investimento financeiro. Algumas semanas depois de ter comemorado seus 50 anos no Madison Square Garden, em Nova York, o astro do rock lançou títulos garantidos por sua música.

Os Bowie Bonds, que tinham uma taxa de juros de 7,9% a dez anos, permitiram que o artista britânico ganhasse de imediato 55 milhões de dólares. Como garantia, estavam os direitos autorais de 25 de seus álbuns lançados antes de 1990, como Let’s Dance e Hunky Dory.

Esse mecanismo de transformar créditos e receitas regulares em títulos que podem ser comprados e vendidos por investidores era até então aplicado aos créditos de automóveis ou às hipotecas, mas um artista nunca tinha tido a ideia de vender ou trocar royalties dessa forma.

A operação foi possível porque Bowie, diferentemente de muitos artistas de rock, possuía os direitos de toda a sua obra. Outros cantores como James Brown e Rod Steward, assim como o grupo de heavy metal Iron Maiden, usaram depois esse mesmo mecanismo.

Bowie, que também era um notável homem de negócios, chegou a um acordo em 1997 com a empresa britânica de discos EMI, pelo qual foram adiantados 30 milhões de dólares de seus futuros royalties em troca da exclusividade dos direitos de distribuição em todo o mundo do catálogo que abrange sua obra entre 1969 e 1990.

Mas, assim como foi inovadora, a iniciativa de Bowie de lançar bônus lastreados em sua obra também caiu em desgraça. Em 2004, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota dos Bowie bonds para apenas um degrau acima do grau especulativo após as reviravoltas na indústria musical trazidas pelo avanço da distribuição de música por meios virtuais

Em 2002, o próprio Bowie havia previsto o declínio das vendas de música por canais tradicionais ao afirmar que a música se transformaria em algo como “a água ou a eletricidade” – de fluida circulação, portanto. A previsão se provou certeira. Isso não significa que os bônus foram um investimento ruim. Eles deram certo para todas as partes envolvidas, segundo o consultor financeiro Cliff Dane, ouvido pela BBC.

Adepto das tecnologias de vanguarda, o cantor se transformaria, em 1999, em um dos primeiros artistas a propor oferecer online seu álbum Hours. O músico morreu neste domingo, aos 69 anos, vítima de câncer.

‘Starman’

Lançada em 1972, no disco The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, a faixa é de causar arrepios nos mais nostálgicos. O álbum é considerado um marco na cultura pop e fez de Bowie um dos poucos a mesclar música, moda e performance artística. 

‘Changes’

A canção do disco Hunky Dory marca a estreia do músico na parada americana Billboard Hot 100, em 1972. 

‘Fame’

Ao longo da carreira, o músico britânico emplacou duas músicas no primeiro lugar da disputada parada Billboard Hot 100. Fame, do disco Young Americans, de 1975, foi a primeira. 

‘Rebel Rebel’

Faixa do disco Diamond Dogs, de 1974, a música é considerada a despedida de Bowie do movimento rock glam, popularizado por ele.

‘Young Americans’

A canção, parte do disco de mesmo nome, lançado em 1975, possui forte influência da música negra americana, estilo que ganhou o apelido de ‘plastic soul’ por Bowie. 

‘Heroes’

A música que dá título ao disco lançado em 1977 é parte da “trilogia de Berlim” (formada porLow, Heroes e Lodger), discos gravados na época que o músico vivia na cidade alemã. Heroes se tornou uma das mais famosas na voz de Bowie e ganhou diversos covers, entre eles de músicos como Oasis e Bon Jovi.

‘Fashion’

O single do álbum Scary Monsters (and Super Creeps), de 1980, foi um dos primeiros a ser lançado pelo músico após a trilogia Berlim, e traz um som ainda mais dançante, com uma forte batida eletrônica. 

‘Under Pressure’

A música lançada em parceria com a banda Queen, em 1981, se tornou um hit no mundo, especialmente no Reino Unido, onde ela conquistou o topo da parada UK Singles Chart.

‘Let’s Dance’

Parte do disco que leva o mesmo nome, lançado em 1983, Let’s Dance foi a segunda faixa de Bowie a conquistar o primeiro lugar na parada americana Billboard Hot 100. 

‘The Next Day’

A música é parte do disco de mesmo nome, lançado em 2013. O álbum foi um dos mais bem sucedidos de Bowie na parada americana até hoje, chegando ao segundo lugar dos mais vendidos. No total, o músico emplacou 39 discos entre os mais populares da Billboard

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(Com Agência France-Presse)