DAF Caminhões, “nanica” do setor automotivo, cresce 70% na crise

Quando comparados os primeiros oito meses deste ano com o mesmo período do ano passado, vendas da empresa passaram de 258 unidades para 436

Enquanto a Mercedes-Benz encolhe de tamanho para se ajustar aos novos tempos do mercado, a nanica DAF Caminhões, que iniciou produção local há três anos, enfrenta a crise de maneira menos dramática, justamente por seu porte.

“Começamos pequenos e temos possibilidade de ir crescendo junto com a retomada do mercado, enquanto outras estão colapsando”, diz Michael Kuester, presidente da DAF Brasil. Nos primeiros oito meses deste ano, na comparação com o mesmo período de 2015, as vendas da empresa cresceram quase 70%, de 258 unidades para 436.

A fábrica de Ponta Grossa (PR) tem capacidade anual para 10 mil caminhões, volume que a marca holandesa, subsidiária da americana Paccar, esperava atingir em 2018. Com a crise, as previsões foram prorrogadas para daqui três a cinco anos.

Kuester lembra que, em 2011, quando o grupo decidiu se instalar no País, o mercado brasileiro vendeu um recorde de 172 mil caminhões. Neste ano, as vendas devem somar cerca de 53 mil unidades. A capacidade produtiva conjunta das marcas é de 488 mil caminhões.

Com 250 funcionários que trabalham em um turno, a fábrica produz apenas quatro caminhões do segmento de pesados por dia dos modelos CF 85 e XF 105, que custam de R$ 270 mil a R$ 360 mil. Em 2017, lançará um fora de estrada e, na sequência, um semipesado.

Para crescer num mercado total que cai 30%, a DAF tem recorrido a estratégias que grandes marcas locais têm dificuldade em adotar. “Nós mesmos financiamos boa parte das vendas, com dinheiro da matriz, a juros de 12% ao ano”, informa Kuester. Pelo Finame, hoje, o juro chega a 16%.

Além disso, como a marca ainda atua com volume pequeno, Kuester consegue manter um relacionamento próximo com os clientes. Em várias ocasiões, percorreu entre 500 km a 1,4 mil km de estradas para visitar compradores ou entregar pedidos.

“Também temos um grupo no WhatsApp em que trocamos informações, ouço reclamações e os clientes enviam vídeos dos veículos em operação”, conta o executivo americano de 53 anos, que em 2011 veio para o Brasil para criar a rede de revendas do grupo e, há um ano e meio, assumiu a presidência. Ele está na companhia – a quarta maior em vendas globais do seu segmento -, há 27 anos.

Leia também:
Receita libera pagamento de restituições do 4º lote do IR 2016
STF suspende julgamento sobre demissões sem justa causa

No Brasil, a DAF investiu cerca de 1 bilhão de reais com recursos próprios e terá 24 revendas até o fim do ano. É a única montadora de caminhões que iniciou produção de um grupo de sete fabricantes que anunciaram projetos nos últimos anos. A Foton Aumark abrirá sua unidade em Guaíba (RS) em 2017.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Micky Oliver

    TODOS RECLAMAM MAS TODOS QUEREM VIR PARA A TERRA DO OBA-OBA!

    Curtir

  2. O Brasil tem que trazer FÁBRICA DE TRENS, não de caminhões. O mundo inteiro investe em trilhos e, aqui, as duas grandes fábricas quebraram – a Mafersa e a Cobrasma. Na Europa e nos EUA você anda em trens maravilhosos com cabines, restaurantes, lanchonetes, espaço para conversar, para lazer, etc. O problema no Brasil é que as empresas do petróleo e as fábricas de carros não permitem, obviamente comprando os políticos e as autoridades para manter as coisas como estão

    Curtir

  3. Martinus Felix

    Daf pode ser uma fábrica nánica aqui no Brasil, mas nos Países Baixos e toda a Europa é uma fábrica tradicional e de grande porte.

    Curtir

  4. Ubirajara Ferreira de Sousa

    É importante que ela crêça como as outras mas é preciso que ela não prenda as informações técnicas pois caso contrario poderá o cliente nordestino comprar só o primeiro , motivo : FALTA DE PEÇAS E INFORMAÇÃO falando em nordeste , nossos governantes são uns verdadeiros carrascos nessa região as únicas fábricas de carros que tem são as de carrinhos de mão que vergonha heinnn?

    Curtir