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Da Grande Depressão à ameaça do fim do euro

Madri, 15 (EFE).- O mundo inteiro permanece atento à grave crise econômica vivida pela Europa, que ameaça provocar uma ruptura institucional se não houver a adoção de medidas urgentes. Uma das consequências pode ser o fim da moeda única.

Na última segunda-feira, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse que há ‘menos de três meses’ para salvar o euro. Na resolução da crise, um fator fundamental será o resultado das eleições na Grécia no próximo domingo, que pode determinar se o país poderá abandonar a moeda única.

Confira as crises econômicas mais graves desde a Grande Depressão de 1929:.

1929.- ‘A Crise de 29’. A crise econômica mundial do início do século foi motivada pela queda dos preços de produtos agrícolas no mercado agrícola dos Estados Unidos em 1928. Em 29 de outubro de 1929 quando, após três meses de quedas consecutivas da produção e dos preços, foram vendidas 16 milhões de ações, o que afundou a Bolsa de Nova York.

Com isso, foi modificada a legislação da bolsa. Uma das leis fundamentais foi a Securities Exchange Act de 1934 que criou a Comissão de Valores Americana (SEC), organismo responsável pela supervisão e vigilância dos mercados dos EUA.

1944.- Após a Segunda Guerra Mundial, a comunidade internacional realiza uma conferência monetária e financeira solicitada pelas Nações Unidas, na qual foi decidida a criação do Banco Mundial (BM) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), assim como o uso do dólar como moeda de referência internacional.

1971.- ‘O fim do sistema padrão ouro’. A excessiva despesa dos EUA em seus investimentos no exterior e a Guerra do Vietnã fizeram com que suas reservas de ouro fossem reduzidas drasticamente, e com que o valor da moeda deixasse de ser respalda por este metal. Em dois anos desaparece finalmente o padrão ouro e começa a época das mudanças flutuantes, em função da evolução dos mercados internacionais de capital.

1973.- ‘Embargo do petróleo durante a guerra Árabe-Israelense’. O corte de provisão dos países da OPEP na conhecida como primeira crise do petróleo, durante a Guerra do Yom Kippur, provocou um aumento do preço de US$ 2,50 para US$ 11,50 em 1974.

Isto elevou a fatura energética do Ocidente e provocou uma forte crise nos países mais industrializados.

1987.- ‘Segunda-feira Negra’. Em 19 de outubro de 1987 milhões de investidores em massa começaram a vender suas ações na Bolsa de Nova York devido à crença generalizada do manejo inadequado da informação confidencial e a aquisição de empresas com dinheiro procedentes de créditos.

1994.- ‘Quebra do peso mexicano’. O Governo do México é incapaz de manter sua taxa de câmbio fixa frente ao dólar e anuncia a desvalorização da moeda. Seus efeitos negativos sobre o resto da América Latina foram batizados como ‘Efeito Tequila’.

1997.- ‘Crise Asiática’. Em julho Tailândia desvaloriza sua moeda. Após, caíram as da Malásia, Indonésia e Filipinas, o que repercutiu também em Taiwan, Hong Kong e Coreia do Sul. Seu efeito se arrastou ao resto de economias e a crise, que em um primeiro momento parecia regional, acabou se convertendo na primeira crise global. O Fundo Monetário Internacional (FMI) intervém emprestando dinheiro e impondo suas reformas.

1998.- ‘Crise Russa’. Há o colapso do sistema bancário russo, com uma suspensão parcial de pagamentos internacionais, a desvalorização de sua moeda e o congelamento dos depósitos em moeda estrangeira. O FMI concedeu créditos multimilionários e solicitou reformas estruturais internas.

2000.- ‘Bolha da Internet’. Os excessos da nova economia deixaram uma esteira de quebras, fechamentos, compras e fusões no setor da internet e das telecomunicações e um grande buraco nas contas das empresas de capital risco.

2001-2002.- ‘Crise argentina’. O Governo da Argentina carece de fundos para manter a paridade fixa do peso com o dólar e, diante da saída de capitais, impõe restrições à retirada de depósitos bancários, medida conhecida como ‘Corralito’.

Em dezembro de 2001, o pagamento da dívida de quase US$ 100 bilhões é suspenso, o que constitui a maior quebra da história.

2008-2009.- ‘Grande Recessão’. Estados Unidos sofre sua maior crise financeira desde os anos 30 como consequência da atividade especulativa e creditícia e cujo detonador foi a explosão da bolha imobiliária com as hipotecas (‘subprime’).

2010-2011.- ‘Crise grega e a crise da dívida europeia’. O Governo da Grécia reconhece que as contas públicas não estão saudáveis e que o déficit do país é muito superior ao admitido. Este fato cria uma enorme insegurança no mercado de dívida, onde cresce o interesse pelos bônus gregos.

A situação piora até o ponto em que Grécia se vê obrigada a pedir ajuda à União Europeia e o FMI, em uma tentativa da crise não se propagar a países como Portugal, Espanha, Irlanda e Itália.

Em maio de 2010 é aprovado um primeiro resgate à Grécia com um resgate de 110 bilhões de euros para o período 2010-2012. Em 21 de julho de 2011, os líderes da zona do euro concordam com um segundo resgate à Grécia no valor de 159 bilhões de euros para o período 2011-2014.

Apesar as tentativas de conter a crise grega, a desconfiança dos mercados se transfere à Irlanda e Portugal, o que obriga à União Europeia a aprovar outros planos de resgate. O irlandês fica em 85 bilhões de euros, e o de Portugal em 78 bilhões de euros.

Em novembro de 2011, os mercados financeiros concentram a atenção na dívida da Itália, único país da periferia da zona do euro que tinha se mantido à margem, e seu prêmio de risco se dispara. Para evitar mais especulações, o presidente italiano, Giorgio Napolitano, confirma a renúncia do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, e encarrega o ex-comissário europeu Mario Monti na formação de um novo Governo.

Em 2012, a Espanha entra em recessão e fica evidente as graves necessidades de capital dos seus bancos, entre 40 e 80 bilhões de euros, segundo o FMI. O Eurogrupo aprova em 9 de junho por à disposição dos bancos espanhóis uma linha de crédito de até 100 bilhões de euros. EFE