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Conservadores gregos aprendem com a crise, mas pode ser tarde

Por Dina Kyriakidou

ATENAS, 12 Jun (Reuters) – Antonis Samaras engoliu o medo das vaias, tirou o paletó e se misturou à multidão, como parte da guinada radical com a qual o veterano líder conservador espera vencer a eleição de domingo na Grécia.

Num país onde os políticos costumam ser alvejados com ovos e iogurte por eleitores furiosos, sua caminhada do fim de semana na cidade de Corinto representa uma cartada ousada.

Como líder do partido Nova Democracia (ND), Samaras, de 62 anos, cometeu um espetacular erro político ao convocar eleições para maio, nas quais esperava que o eleitorado punisse seus arquirrivais socialistas e lhe desse um mandato sólido para manter as medidas de austeridade exigidas por credores internacionais em troca de um resgate financeiro para o endividado país.

A mensagem não ficou clara para o eleitorado, a campanha dele escolheu um alvo errado como inimigo, e a eleição resultou em um Parlamento dividido entre grupos pró e contra o resgate, sem que nenhum conseguisse formar um governo — o que obrigou à convocação de um novo pleito, no domingo.

Ele agora parece ter aprendido a lição, mas tem poucos dias para conter o avanço de um líder esquerdista radical que pode virar premiê aproveitando-se da insatisfação popular com a economia.

Apesar da oposição às medidas de austeridade, quase 80 por cento dos gregos querem permanecer na zona do euro, e Samaras insiste que o ND é o único partido capaz de evitar um colapso financeiro e a exclusão da moeda comum, com a volta à antiga divisa nacional. “O dracma neste momento significa a morte”, disse ele no domingo a uma TV.

Segundo as pesquisas, o ND está virtualmente empatado com a coalizão esquerdista Syriza, que promete cancelar o resgate internacional de 130 bilhões de euros, nacionalizar bancos e congelar privatizações. Ele diz que não pretende retirar a Grécia da zona do euro, mas credores internacionais dizem que será impossível manter o país na moeda comum se as medidas de austeridade não forem preservadas.

O dirigente do Syriza, Alexis Tsipras, de 37 anos, é particularmente popular entre os jovens, entre os quais o desemprego supera 50 por cento, e sua ascensão é o fato da política grega que mais atrai a atenção dos estrangeiros.

Mas, de forma menos espetacular, Samaras também está em ascensão. Depois de obter 19 por cento dos votos na votação de 6 de maio, a maioria das pesquisas dá cerca de 25 por cento ao ND.

Pelo sistema eleitoral grego, ter o maior número de votos, por menor que seja a vantagem sobre o segundo colocado, é crucial na formação do governo, já que o partido mais votado recebe 50 vagas adicionais no Parlamento (em um total de 300).

“O Nova Democracia claramente tem uma campanha melhor, e Samaras está ouvindo mais gente”, disse o analista político John Loulis. “A batalha está sendo travada em torno do euro, e os anúncios dele passam uma mensagem clara.”