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Como a privatização pode salvar a Eletrobras

O repasse do controle da estatal para o setor privado colocará fim ao histórico de uso político de sua estrutura, e permitirá que ela ganhe eficiência

Duas décadas atrás, o governo decidiu privatizar a Gerasul, uma estatal de energia do sul do Brasil. Na ocasião, seus ativos equivaliam a 5% do valor de mercado da Eletrobras, da qual fazia parte. A Gerasul foi adquirida em 1998 pela francesa Tractebel, que a transformou ao longo dos anos, graças a uma gestão profissional e livre de interferência política, na mais valiosa empresa do país no setor elétrico. Hoje a Engie (novo nome da companhia da Gerasul) vale uma Eletrobras e meia, ainda que sua capacidade de geração seja apenas 20% da que a estatal possui. O caso ilustra o monumental potencial de produção de riqueza quando as amarras e a corrupção são excluídas da equação. É por essa razão que deve ser saudada com fogos de artifício a decisão do governo de Michel Temer de privatizar a Eletrobras.

Ao longo de sua história, mas em particular nas duas últimas décadas, a estatal foi vítima do loteamento de seus cargos e de decisões políticas que se sobrepuseram aos argumentos técnicos e aos interesses da população. A consequência é que, apesar de ter ações na bolsa, a Eletrobras raramente contou com o voto de confiança de investidores. No dia seguinte ao anúncio da privatização, porém, suas ações deram um salto de quase 50%: o valor da estatal subiu de 20 bilhões para 29 bilhões de reais, o que dá mostra da enorme promessa de crescimento que os investidores enxergam na companhia.Espécie de Petrobras do setor elétrico, a Eletrobras produz um terço de toda a energia consumida no país e administra metade das linhas de transmissão. A companhia é sócia das maiores usinas hidrelétricas do país, de Itaipu, construída nos anos 70, a Belo Monte, que acaba de entrar em operação. E é dona de estatais estratégicas, como Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul.

Esse colosso, que é a maior empresa de energia elétrica da América Latina, está nas mãos do governo, que tem 51% das ações com direito a voto. Embora positivo, o plano de venda anunciado na semana passada destoa do modelo tradicional de privatização, em que leva a empresa quem oferece o maior valor em um leilão. A Eletrobras vai vender novas ações na bolsa, sem a participação do governo. O efeito será de diluição da fatia do Estado, que deixará de ter o controle.

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Comentários

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  1. Alex Sandro Silva

    Concordo. É preciso remover este inepto aparelhamento petista e sindicalista nas empresas estatais. No setor privado, a Eletrobrás ganhará muito mais com tributos do que com pró labore e dividendos; os números da Engie, antiga Gerasul, comprovam. Pela análise poética: lamentável; pela análise racional: avante privatização!!!

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  2. Genivaldo Marques

    Será esta a melhor saída numa área tão estratégicas para o País, não seria melhor criar leias que impedisse o aparelhamento político, que aliás é prática em todas as estatais, quer federais, quer estaduais independente do Partido. Lamentavelmente veremos isso acontecer, espero não ser motivo de muitas dores e vergonha para futuras gerações.

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  3. Não morro de amores pelo PT. Aliás, não voto em candidatos do PT. Abomino o que eles fizeram nos 13 anos de governo: muita politicagem, muita propaganda, muito oportunismo com a boa situação econômica da economia mundial, muita hipocrisia e, principalmente, erros administrativos com intervenção despropositada nas empresas estatais e inconsequente permissividade à corrupção. Mas, a bem da verdade, não foi só o PT que aparelhou as empresas públicas. Todos os partidos fazem isto. Quanto tratar-se duma empresa que atua numa área estratégica para o desenvolvimento, lembremo-nos que quem assumir a empresa não quererá prejuízos financeiros. Portanto, teremos, com certeza, uma gestão profissional, eficaz e eficiente. Ninguém investe em algo para perder. E um detalhe: hoje temos agências reguladoras com relevância técnica, ao contrário do tempo do PT que as indicações eram meramente políticas, onde todo mundo metia o bedelho.

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  4. Rafael Rodrigues de Melo Neto

    Não existe nenhum argumento lógico e sem ideologia,que justifique uma empresa gerida pelo estado!
    Cada empresa privatizada,significa menos corrupção!
    Simples assim.mm

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  5. Democrata Cristão (Liberdade de Expressão é meu direito CF 88 art 5 e art 220)

    Agora, não basta privatizar o setor elétrico, tem que baixar os impostos que incidem sobre o setor. Nos EUA, a energia elétrica é 60% mais barata que a do Brasil.

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  6. Democrata Cristão (Liberdade de Expressão é meu direito CF 88 art 5 e art 220)

    Privatização com Reforma Tributária(diminuição dos impostos).

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  7. hamon teixeira

    Pessoal fala que privatizar é a solução, mas basta ver a vale do rio doce pra saber a cagada que é… A empresa só dando lucro porque ela tá sonegando horrores em impostos. Ela é a maior sonegadora do país mesmo tendo reservas impressionantes de minério a sua disposição.

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